Guia Gessulli
19-Abr-2017 08:49
Brasil

Cade aprova aquisição da Syngenta pela ChemChina

Enquanto autoridades norte-americanas e europeias veem a necessidade de vendas de ativos para autorizar a união da Syngenta com a ChemChina, no mercado brasileiro as duas companhias têm caminho livre para consolidar suas operações. A aquisição da empresa suíça pela chinesa foi aprovada sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A superintendência geral do órgão brasileiro de defesa da concorrência deu aval para a operação (ato de concentração 08700.006269/2016-90)  em 24 de fevereiro deste ano. No parecer que recomendou a aprovação sem restrições, o Cade reconhece que há uma sobreposição das atuações das empresas em diversos mercados. No entanto, considera que há concorrência suficiente para evitar “exercício de poder de mercado”.

“Embora a entrada nesses mercados tenha caráter intempestivo, principalmente por questões inerentes ao processo regulatório, as preocupações concorrenciais podem ser afastadas pelo critério de rivalidade. Não foram identificadas preocupações concorrenciais decorrentes das relações verticais ou reforçadas pela operação”, diz o parecer do Cade.

De acordo com as informações do Cade, o processo foi iniciado em setembro de 2016. A publicação do despacho que confirma a decisão do Conselho foi feita no Diário Oficial da União (DOU) no dia primeiro de março deste ano. A publicidade da decisão ficou restrita ao histórico do processo no site do Cade e ao DOU, sem comunicação específica por parte das duas companhias.

Para a Syngenta, o Brasil é o principal mercado na América Latina e um dos mais importantes em nível global. De acordo com o balanço anual referente a 2016, o Brasil representa 67% das vendas da companhia no continente latino-americano, que, ao todo, foram de US$ 3,293 bilhões no último ano.

A subsidiária da ChemChina no Brasil é a Adama Agricultural Solutions, multinacional com origem em Israel. A empresa foi fundada em 1945 como grupo Makhteshin Agan, com sede em Tel-aviv. A operação brasileira representa 15% dos negócios totais da companhia, a maior unidade industrial fora do teritório israelense. São duas fábricas, uma em Londrina (PR) e outra em Taquari (RS).

Globo Rural
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