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Mercado

ABPA cobra ação do governo contra alta de custo na cadeia de carnes

Entidade pede desoneração do frete até as granjas e facilitação à importação do milho transgênico para evitar inflação de alimentos e risco de oferta

Redação com infiormações de Valor Econômico
24-Mai-2021 08:15

Embora a cotação do milho tenha recuado recentemente no mercado internacional, criadores de aves e suínos e as indústrias de proteína animal do Brasil engrossaram a cobrança ao governo federal por medidas de socorro contra a alta nos custos de produção. O alerta, direto ao presidente da República, Jair Bolsonaro, é para o risco de aumento de preços da alimentação dos brasileiros mais pobres e até de redução da oferta caso o país não adote mecanismos para facilitar a importação do cereal transgênico e desonerar o frete até as granjas.

“O presidente precisa entrar em campo porque o prato dos brasileiros pode ficar mais vazio se o governo não agir rápido. Não é que vai faltar produto, mas vai diminuir a oferta. Na mesa das pessoas pobres é que vamos ver a influência”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, em audiência pública hoje na Câmara dos Deputados.

O setor quer uma reunião com o Palácio do Planalto para expor a situação de "falta de fôlego" diante do aumento de custo de 180% no milho, 140% na soja, 68% no papelão, 30% no diesel e 85% nas embalagens rígidas de 2019 até agora. “Nós seremos o veículo de um aumento muito forte na mesa do consumidor, mas não somos a causa. Não queremos aumentar preço para ganhar mais dinheiro e sim para manter o emprego e a renda de milhares de famílias no campo”, emendou. “O presidente precisa evitar comida cara para o pessoal pobre”, completou.

O dirigente disse ainda que o mercado é prejudicado pelo processo de especulação nos preços do milho. Segundo Santin, a busca por uma solução agora evitará a falta de oferta lá na frente. “Se quebra a produção de ovos, dispensa o nascimento de matrizes de suínos, quando a economia voltar não vai ter comida”, destacou.

Para compensar a elevação dos custos, indústria e produtores pedem a isenção de tributos estaduais e federais na importação e comercialização de milho, como a incidência de PIS/COFINS no cereal que vem de fora e no frete para levar do CentroOeste ao Sul do país e o Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).

O setor também quer a liberação para importação de variedades transgênicas de milho dos Estados Unidos para uso restrito na alimentação animal. As agroindústrias se respaldam em um parecer técnico da Embrapa segundo o qual as moléculas modificadas são quebradas durante a alimentação e não transferem a transgenia para a carne. O tema está em avaliação na Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNBio).

De acordo com a ABPA, as regras atuais favorecem a “desindustrialização” do país. “Quem compra nosso milho para produzir lá fora usa incentivos do Plano Safra ao produtor e vai transformar em carne lá fora. Estamos fazendo uma política de desindustrialização, temos que ter equilíbrio. Para importar tem uma série de dificuldades, para exportar, pode tudo?”, questionou.

O diretor de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Silvio Farnese, disse que apesar da dificuldade fiscal há espaço para desonerar a cobrança de tributos federais na importação e comercialização de milho para atenuar a pressão sobre os custos dos criadores. Ele reforçou propostas da Pasta para incentivar o aumento na produção do cereal na próxima safra e disse acreditar na redução das cotações no longo prazo.

“O importante é que não está faltando produto. O milho mais caro é aquele que não existe”, afirmou. “Que setor chegue arranhado, mas que não chegue incapaz de continuar. Vamos melhorar lá na frente, tudo que sobe desce. Na questão de preços já nos acostumamos. Vai baixar, a quanto vai chegar, não sabemos”, acrescentou.

O deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS) reclamou da postura do governo diante do problema. “Vai ganhando tempo para a coisa se resolver na próxima safra, mas não podemos esperar mais. Estamos perdendo mercado por falta de ação nossa e com perspectiva de perda de renda e economia”, disse.

Ele disse que apesar do empenho da ministra Tereza Cristina, a questão extrapola a competência do Ministério da Agricultura. Segundo o parlamentar, seria preciso criar um comitê interministerial para agir de forma emergencial na tomada de decisões para reduzir a pressão sobre a cadeia produtiva da carne.

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