Alltech SI
Peste Suína Africana AveSui Inside Cooperativas Agroindústrias Bem - Estar Animal América Latina Comentário Suíno Economia Empresas Exportação Eventos e Cursos Genética Geral Insumos Manejo Meio Ambiente Mercado Externo Mercado Interno Nutrição Piscicultura Pesquisa e Desenvolvimento Processamento de Carne Sanidade Sustentabilidade Saúde Animal Tecnologia Revista Todos os Vídeos TV Gessulli no YouTube Edições Revista Digital Anuncie
Comentário

Agro em janeiro de 2019

Resumo e reflexões do agro de janeiro

Marcos Fava Neves

Marcos Fava Neves é Professor Titular da Faculdade de Administração da USP, Campus de Ribeirão Preto. Especialista em planejamento estratégico do agronegócio ([email protected]).

04-Fev-2019 11:30

Na análise da economia, segundo o FMI, o crescimento mundial em 2019 e 2020 será de 3,5% e 3,6%, respectivamente, quedas de 0,2% e 0,1% ante sua última previsão. O crescimento da Europa caiu 0,3% (para 1,8%), EUA mantém em 2,5% (mas cai para 1,8% em 2020), China manteve 6,2%, e emergentes caem de 4,7 para 4,5%. O Banco Mundial é mais pessimista, estimando o crescimento mundial em 3% para 2018, 2,9% para 2019 e 2,8% para 2020, com crescimentos ligeiramente menores para todos os países e regiões listadas acima.

Preocupa o mundo as tensões comerciais e desaceleração da taxa de crescimento da China. A meta do Governo Chinês é de um crescimento entre 6 a 6,5% para 2019 e já está tomando providências para reaquecer sua economia. Em relação às tensões com os EUA, o superávit comercial dos chineses nesta relação foi de US$ 323 bilhões em 2018, realmente gigante e uma das maneiras de compensar isto seria aumentando o consumo interno e a compra de produtos do agronegócio americano, principalmente grãos, proteína vegetal e etanol, o que afetaria negativamente o agronegócio do Brasil.

No caso do Brasil, o cenário é de estabilidade nos números, com todos preocupados com a capacidade do novo Governo em aprovar as reformas necessárias, que sumiram da mídia graças ao triste episódio de Brumadinho, que arrasou todo o país moralmente. O último Relatório Focus do BC coloca o crescimento do PIB em 2019 em 2,53% e 2,60% em 2020. O câmbio em 3,75 e 3,78 respectivamente para os dois anos, a taxa de inflação em 4% para os dois anos, e a taxa Selic em 7,0 e 8,0%, respectivamente. Tanto na arena mundial como no Brasil são números um pouco piores que os anteriores, mas ainda positivos ao agro, pois tem crescimento pela frente.

A nova estimativa para o valor bruto da produção (VBP) feita pelo MAPA para 2019 é de R$ 581,6 bilho~es, sendo R$ 200,3 bilho~es na pecuária, valor 7,7% maior que 2018, puxado por bovinos (4,4%,  R$ 79,7 bilho~es), frango (18,6%, R$ 63,1 bilho~es), leite (3,6%, R$ 33,1 bilho~es) e sui´nos (4,5%, R$ 14,6 bilho~es). Apenas o setor de ovos deve cair 6,8%, para R$ 9,8 bilho~es. Já o VBP da agricultura será de R$ 381,3 bilho~es, valor 0,7% menor). Reforçando os benefícios do agronegócio, a análise de dados feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em mais de 5 mil cidades indicou que o PIB das 100 cidades maiores produtoras do agro nos anos de 2014 e 2016 cresceu 9,81%, muito mais que o Brasil.

Fechamos os números das exportações do agro em 2018 e estas realmente deram show, mesmo com a greve dos caminhoneiros e tiveram recorde de US$ 101,7 bilhões, com crescimento de 5,9% sobre 2017. As vendas para a China aumentaram US$ 9 bilhões em apenas um ano, e para lá são direcionados 20% da carne brasileira, quase 30% do algodão, 40% da celulose e pouco mais de 80% da soja.

Isto mesmo com o ano de 2018 judiando dos preços das commodities. O índice da FAO caiu 3,5% e fecha o ano com 168,4 pontos. Quase 30% menor que o recorde visto em 2011. Os cereais subiram 9%, óleos caíram 15%, carnes caíram 2,2%, lácteos caíram 4,3% e o açúcar impressionante queda de 22%, derrubando o índice geral. Em 2018 quem voltou a sorrir foi o setor de máquinas agrícolas, que cresceu 12%. Para 2019 a Anfavea espera 10% de crescimento. Boas notícias!

A balança comercial total brasileira (incluindo o agronegócio) fechou 2018 com superávit de US$ 58,3 bilhões, 13,3% menor que em 2017. Exportamos US$ 239,5 bilhões (9,6% a mais) e importamos US$ 181,2 bilhões (19,7% a mais). Chega próximo a 28% a participação da China nas exportações do Brasil, um crescimento de 32% em apenas um ano. Para os EUA vendemos quase US$ 29 bilhões, aumento de 6,6%. Perdemos vendas para a Argentina, fechando o ano 15% menores, em US$ 15 bilhões. A nossa  sua participação nas importações chinesas ainda é de apenas 2,7%, contra 0,7% em 2002.

Em relação às perspectivas, a ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) estimou as exportações de soja de 2019 quase 14% menores que as de 2018, ficando em 73 milhões de toneladas. Já refletindo alguma queda na produção devido aos problemas climáticos. A Abiove estima em 70 milhões, 13,7 milhões menores que ano passado e gerando US$ 26.6 bilhões, 25% a menos que em 2017. A estimativa caiu US$ 1,5 bilhão em um mês, graças ao clima. Quando se considera também óleo e farelo, as exportações serão de US$ 32,75 bilhões, 20% menores. A ABIOVE já estima nossa safra em praticamente 118 milhões de toneladas, queda de 2,5% em relação ao estimado em dezembro. Em direção oposta, as exportações de milho devem saltar de 23 para 31 milhões de toneladas. Mais uma vez, as negociações EUA x China podem alterar este quadro.

Boa parte desta soja seguirá para a China, cujas importações são estimadas em 87 milhões de toneladas. Praticamente está fechado o fluxo de soja entre os EUA e a China. Em dezembro foram importadas apenas 70 mil toneladas, contra 6,2 milhões no ano anterior. 2018 foi o pior dos últimos 10 anos. A análise do ano mostra importações de 16,6 milhões de toneladas, menos da metade das 33 milhões de 2017. Do Brasil em dezembro apenas a China comprou 2,43 milhões de toneladas a mais que o mesmo mês de 2017. A tarifa de 25% começou em junho.

Dados da empresa Williams compilados pela Reuters mostram a concentração nas exportações de soja do Brasil. Das 84 milhões de toneladas vendidas em 2018, a Bunge lidera com 17,7 milhões de toneladas (crescimento de 9,2% sobre 2017), a Cargill está em segundo com 12,15 m.t. (1,4% a mais), a Dreyfus aparece em terceiro com 10,98 m.t. (28,6% acima de 2017), seguida da Cofco com 10,96 m.t. (18% a mais). O maior salto foi da Olam, de 225%, exportando 6,7 m.t. e ocupando a sexta posição, logo atrás da ADM que exportou 8,56 m.t., também crescendo 7,5% sobre 2017. As seis maiores empresas venderam aproximadamente 80% da soja brasileira.

No mercado de defesa vegetal, vem crescendo o uso de produtos biológicos no controle de pragas e doenças, muitas vezes feitos nas próprias fazendas. Dados da ABCBio (Associação Brasileira de Biodefensivos Agrícolas) estima um mercado de R$ 500 milhões crescendo 20% ao ano, com mais de 170 produtos registrados, contra praticamente zero na década passada.

Alguns relatos de empresas neste mês que valem destaque, começando pela Amazon: sua entrada na distribuição de alimentos tem sido vigorosa, crescendo 45% em 2018. O negócio da Amazon Go deve atingir US$ 4 bilhões, indo a 3 mil lojas em poucos anos e o conceito de sair direto da loja com débito automático no cartão deve ser licenciado. Os produtos mais vendidos são café e bebidas, e tem patinado o conceito da Amazon Fresh, de distribuição de perecíveis. Estes fazem parte da estratégia da empresa pois aumentam a frequência de visitas e compras, tanto em lojas físicas como virtuais.

A Caramuru faturou R$ 4,2 bilhões em 2018, quase 14% a mais. Além do esmagamento de soja, novos projetos estão ligados à produção de etanol com melaço de soja (em Sorriso, MT), glicerina, biodiesel e farelos com maiores teores proteicos, além de logística. Exemplo de economia circular, pois o etanol será usado para gerar energia própria e a glicerina é subproduto do biodiesel.

Segundo o Rabobank, o Blockchain será cada vez mais usado para rastreabilidade, contribuindo para a segurança alimentar e transparência. É algo que já está transformando as cadeias produtivas, nas formas de transações financeiras e de informações.

A soja no Brasil no fechamento da coluna estava em R$ 77,50 nos portos e R$ 69 entregue em cooperativas do Sul do Brasil e referência de março em Chicago foi de US$ 4,25/bushel. Já no caso do milho, No fechamento desta coluna os preços estavam em R$ 38/saca em SP, R$ 32 entregue em cooperativas do Sul do Brasil.

Fico preocupado pois estamos com problemas no clima afetando a produtividade e produção da soja e do milho, a falta de chuvas em algumas regiões está dificultando o semear da segunda safra, e quanto mais tarde for semeada, mais risco corre de geadas e secas. Podemos ter algum evento climático ainda nesta fase final no Brasil e na Argentina, e os comportamentos de plantio nos EUA mostram até agora menos soja. Eu, se tivesse, venderia apenas para quitar os investimentos (custos) e guardaria parte da produção, pois meu viés é de alta.

Assuntos do Momento

Com a chegada da frente fria, valor do milho sobe e deixa produtores em alerta no Brasil
16 de Maio de 2022
Insumos

Com a chegada da frente fria, valor do milho sobe e deixa produtores em alerta no Brasil

Os valores do milho voltaram a subir na semana passada, interrompendo, portanto, o movimento de queda diária consecutiva que vinha sendo verificado desde o encerramento de abril

Estimativa da Anec para exportação de soja em maio aumenta para 11,4 mi de toneladas e de milho para 1,2 mi de toneladas
18 de Maio de 2022
Insumos

Estimativa da Anec para exportação de soja em maio aumenta para 11,4 mi de toneladas e de milho para 1,2 mi de toneladas

A previsão é de que sejam enviados 11,483 milhões de toneladas de soja em grãos, ante as 10,615 milhões de toneladas projetadas na semana passada. 

Exportação da soja paraense cresce 124%; alimentação de suínos na China é principal destino
17 de Maio de 2022
Exportações

Exportação da soja paraense cresce 124%; alimentação de suínos na China é principal destino

Percentual de crescimento é um comparativo do período de janeiro abril de 2022 ao mesmo quadrimestre do ano passado

Mato Grosso tem perda irreversível de 4 milhões de toneladas de milho 2ª safra
19 de Maio de 2022
Grãos

Mato Grosso tem perda irreversível de 4 milhões de toneladas de milho 2ª safra

A safra do cereal foi estimada em 36 milhões de toneladas, informou a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso 

Exportadores dos EUA relatam vendas de 229,2 mil toneladas de soja para destinos não revelados
19 de Maio de 2022
Insumos

Exportadores dos EUA relatam vendas de 229,2 mil toneladas de soja para destinos não revelados

Do total, 10,2 mil toneladas de soja têm entrega no ano comercial 2021/22 e 219 mil toneladas para entrega no ano comercial 2022/23

ONU negocia retomar exportações de grãos da Ucrânia em meio à crise de alimentos
19 de Maio de 2022
Commodities

ONU negocia retomar exportações de grãos da Ucrânia em meio à crise de alimentos

“Estou esperançoso, mas ainda há um caminho a percorrer”, disse Guterres, que visitou Moscou e Kiev no final do mês passado

Mais assuntos do momento
Utilizamos cookies para que você tenha a melhor experiência de navegação, para medir o tráfego, e para fins de marketing. Para mais informações, por favor visite nossa política de privacidade. Política de Privacidade