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Agronegócio ainda é um desafio para a comunicação

Segundo debate dos especialistas no VII Congresso Brasileiro de Marketing Rural, esta foi a conclusão sobre a relação entre o agronegócio e os veículos de comunicação.

Da Redação 13/03/2002 – O merchandising, a mídia interativa e mesmo a mídia tradicional são ferramentas pouco utilizadas pelo agribusiness brasileiro. Embora represente 27% do PIB e empregue 37% da mão-de-obra, o agronegócio brasileiro ainda ignora as ferramentas da comunicação tais como merchandising e mídia interativa, além da própria mídia tradicional em rádio, TV e jornal. Ao mesmo tempo, a área de comunicação pouco conhece do mundo do agribusiness que pode e deve explorar as potencialidades da comunicação como qualquer outra atividade.

A conclusão foi tirada do painel As Ferramentas de Comunicação no Maeketing do Agribusiness, no segundo dia do VII Congresso Brasileiro de Marketing Rural, promovido nos dia 11 e 12 de março, em São Paulo, pela Associação Brasileira de Marketing Rural (ABMR), que reúne mais de 300 profissionais.

Maria Égia Chamma, vice-presidente da POPAI Brasil, entidade que congrega empresas especializadas em promoção no ponto-de-venda, entende que da mesma forma que os supermercadistas, os produtores rurais podem usar as ferramentas do marketing, como o merchandising, com resultados efetivos. Pesquisas recentes mostram que no varejo 85% das decisões de compras são tomadas no ponto-de-venda, percentual que fica em 34% em se tratando de farmácias, padarias e lojas de conveniências. Outra pesquisa do POPAI apontou que uma promoção associada a um anúncio de jornal pode ampliar as vendas entre 17% e 121%, incremento que pode subir para 470% com o uso combinado da propaganda com um eficiente trabalho de promoção do produto/serviço no ponto-de-venda.

Surpreso com a proximidade do campo com a tecnologia, até há pouco uma combinação incompatível, o presidente da Associação de Mídia Interativa, Antonio Rosa, expôs as novidades em mídias resultantes da conversão dos meios de comunicação. “Estamos passando da era dos Flintstones para a dos Jetsons numa velocidade assustadora”, disse ele, observando que a tecnologia, cada vez mais barata, está acessível para qualquer porte de empresa de qualquer setor de atuação porque baseia-se na informação que não tem fronteiras.

Acrescentou Rosa que o homem do campo, que necessariamente já não precisa estar na zona rural, pode controlar a sanidade e o peso do seu rebanho através de satélite. Este mesmo cidadão tem, pelo menos, 459 sites especializados em agricultura à sua disposição, o que lhe permite gerenciar com maior eficiência. “Não tenho dúvidas de que a internet, com 23 milhões de usuários no Brasil e 500 milhões no mundo, se consolida como mais uma grande mídia”, disse.

Para Flávio Rezende, diretor da Divisão Ética do Grupo de Mídia, o agronegócio está se tornando uma das principais competências brasileiras e a propaganda quer estar junto. A seu ver, o setor tornou-se desejado e precisa cuidar da sua marca. Para isso, não há uma receita pronta. O caminho aconselhável é o do mix de mídias de acordo com a característica de cada produto/serviço e seus respectivos públicos.

Rezende lembrou, ainda, que o homem envolvido com a produção rural vem mudando seu perfil rapidamente: 56% dos consumidores de insumos agropecuários assistem a TV diariamente no período de safra (71% na entressafra); 43% ouvem rádio todos os dias; 58% costumam ler jornais e 33% lêem revistas especializadas. Ao mesmo tempo, mostrou que as novas mídias, como a internet, não podem ser desprezadas pela interatividade e pelo fácil acesso.