AveSui
Peste Suína Africana AveSui Inside Cooperativas Agroindústrias Bem - Estar Animal América Latina Comentário Suíno Economia Empresas Exportação Eventos e Cursos Genética Geral Insumos Manejo Meio Ambiente Mercado Externo Mercado Interno Nutrição Piscicultura Pesquisa e Desenvolvimento Processamento de Carne Sanidade Sustentabilidade Saúde Animal Tecnologia Revista Todos os Vídeos TV Gessulli no YouTube Edições Revista Digital Anuncie
Comentário

Atenções se voltam ao plantio da safra nos EUA - Por Marcos Fava Neves

Resumo do agro em abril e os cinco pontos selecionados para maio

Marcos Fava Neves

Marcos Fava Neves é Professor Titular da Faculdade de Administração da USP, Campus de Ribeirão Preto. Especialista em planejamento estratégico do agronegócio ([email protected]).

07-Mai-2019 09:42 - Atualizado em 07/05/2019 12:02

Em abril alguns dois destaques na área internacional: primeiro, um estudo da FAO/ONU mostrando que o crescimento na demanda por alimentos deve se desacelerar nos próximos anos, devido a um menor crescimento da população mundial, uma estabilização em 3,5% ao ano do crescimento da atividade econômica e petróleo ao redor de US$ 65 a 70 o barril. A produção agrícola aumentaria ao redor de 15% neste período. Acho conservador quando se olha todas as mudanças acontecendo no mundo asiático, mas mesmo assim temos chances de crescimento pela frente.

O segundo ponto é o agravamento da peste suína africana na China, que detém 50% da produção mundial. Numa das maiores crises desta década, segundo o Rabobank, cerca de 200 milhões de porcos devem ser abatidos, em um rebanho estimado de 360 milhões de animais. Estima-se queda de 30% na produção chinesa, o que reduziria a demanda por rações (demanda por farelo pode cair entre 10 a 20%).

Precisamos avaliar com que velocidade se dará a inevitável invasão chinesa comprando carnes no mercado mundial, fruto da queda na produção devido ao abate de todos estes animais, que aparentemente não podem ser consumidos. Aqui deve-se considerar: a) a velocidade de infecção na China e outros países asiáticos com baixas condições sanitárias; b) que outras proteínas alternativas podem entrar substituindo a carne suína (outras carnes ou outros produtos); c) o efeito nas taxas de consumo com maiores preços ao consumidor chinês; d) sua capacidade de atuar nos controles e reposição, e; e) os efeitos nos fabricantes de rações para os suínos e consequentemente na importação de grãos. Para o Brasil o impacto num primeiro momento é positivo para as carnes e negativo para os grãos, que em parte precisarão ser redirecionados da exportação para a fabricação de rações aqui no Brasil visando expandir a produção de carnes.

Nos fatos do Brasil, a nova estimativa da produção de grãos feita pela CONAB é de 235,3 milhões de toneladas (m.t.), quase 1% maior que a estimativa de março e 3,4% maior que a safra 2017/18. Quem puxou para cima esta estimativa em relação à anterior foi a segunda safra de milho, que vem tendo bom clima, e deve passar de 68 m.t., estando 2,3% acima da projeção anterior. No total do milho teremos 92,8 m.t., a segunda maior da história, sendo que a safrinha deste ano entregará 10 m.t. a mais que a do ano passado. Para a soja esperam quase 114 m.t., também aumentando 0,3% da ultima projeção, mas 4,6% abaixo da safra passada. A estimativa de abril também trouxe o algodão com 2,8% a mais, chegando a 2,65 m.t., produção 32% maior que a safra anterior.

Em março as exportações do agro caíram 5,3% quando comparadas ao mesmo mês de 2018. Ficaram em US$ 8,6 bilhões, 47,6% do total de produtos vendidos pelo Brasil. As importações do agro também caíram quase 12%, ficando em US$ 1,1 bilhão. Isto posto, o saldo do mês foi de US$ 7,5 bilhões (4% menor que março de 2018). Praticamente todos os produtos importantes tiveram queda, inclusive a cadeia da soja, com 1,2%, exportando US$ 4 bilhões, as carnes caíram 8,5% e ficaram em segundo lugar, com US$ 1,2 bilhão. Frango caiu 4%, suínos 9%, bovinos 10% e a cana quase 40%. Tivemos uma redução de preços principalmente (o índice caiu mais de 6%) pois os volumes no geral foram 1,2% maiores.

Quem cresceu em valor total exportado foi o café (12,3%) atingindo quase US$ 470 milhões e o milho, que cresceu quase 70% atingindo praticamente US$ 180 milhões.  Nos três primeiros meses do ano estamos 14% acima do desempenho do mesmo período do ano anterior. A China foi novamente o principal comprador do nosso agro em março (35% das nossas exportações), com US$ 3 bilhões, mas o valor é quase 10% menor que o de março de 2018.

Penso que para chegarmos aos US$ 100 bilhões em exportações outra vez neste ano precisaremos de boas surpresas em outros setores, principalmente nas carnes e milho, pois na soja repetir os quase US$ 41 bilhões será um desafio quase que impossível, pelos menores preços e menor demanda chinesa. A Abiove estima valor das exportações próximo a US$ 33 bilhões, com cerca de 70 m.t. (13,5 milhões a menos), impactados com a volta da Argentina (perdeu muita soja com seca no final da safra do ano passado) e um possível acordo EUA e China.

A nova estimativa do valor bruto da produção (VBP) de 2019 é de R$ 588,8 bilhões, aumento de 0,8% em relação à estimativa anterior. Devemos ter R$ 392,4 bilhões para as 21 lavouras e R$ 196,4 bilhões para as cinco cadeias da pecuária. Para o Plano Safra 2019/20 a CNA pediu ao Governo, entre outras solicitações menores taxas de juros nas linhas de crédito do custeio (redução de 0,5% em média), programa de subvenção para o seguro rural.

A situação da soja e do milho se complicou mais pela redução dos preços em Chicago e em reais no Brasil, redução de volumes vendidos graças à crise chinesa, maiores custos do frente, entre outros problemas. Fora o risco, que deve ser considerado e contornado, de se comprar os insumos da próxima safra com um câmbio a 4 reais e vender os produtos com o real mais valorizado no início de 2020, no caso de aprovação das reformas. Muito cuidado!

Os cinco principais pontos que sugiro atenção agora em maio são: 1) acompanhar a conclusão da segunda safra de milho; 2) a evolução da gripe suína africana na China e os impactos listados acima; 3) o acordo comercial China e EUA; 4) andamento do plantio da safra americana, áreas plantadas com cada cultura e os impactos climáticos, e; 5) do lado Governamental, o caminhar (ainda lento) das reformas no Brasil, o Plano Safra 2019/20 e as ameaças de maior tributação que pairam sobre o agronegócio, sejam em Estados como na Federação.

Terminamos mais uma Agrishow, que considero antes de mais nada uma universidade a céu aberto, pois em cada empresa que se entra uma aula é dada com as inovações e a vontade de vencer. O resultado financeiro foi considerável (6,4% de crescimento) mas o que destaco foi um astral muito melhor em relação às incertezas econômicas e eleitorais de maio do ano passado e mais vontade de arregaçar as mangas e fazer a diferença. Bom maio a todos!

Utilizamos cookies para que você tenha a melhor experiência de navegação, para medir o tráfego, e para fins de marketing. Para mais informações, por favor visite nossa política de privacidade. Política de Privacidade