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Crédito Rural

BB deve superar expectativas no crédito rural

Depois de registrar seu melhor início de temporadas, banco prevê superar R$ 135 bi em desembolsos

Redação com informações de Valor
19-Ago-2021 08:42

Embalado pelo melhor começo de safra de todos os tempos em termos de desembolsos de crédito rutal, com empréstimos de R$ 19,8 bilhões em 33 dias úteis desde 1º de julho, o Banco do Brasil já prevê superar os R$ 135 bilhões que anunciou que liberaria em toda a temporada 2021/22, e com folga. Assim, a expectativa da instituição é ampliar sua liderança nesse mercado e fortalecer a reaproximação com os produtores.

“Temos convicção de que isso é piso, porque a demanda no agro, que já veio acelerada desde o fim da safra passada, está muito forte. E não vai faltar recurso. Temos o compromisso do conselho diretor do banco de que a demanda por crédito rural e por títulos vai ser atendida”, disse Renato Naegele, vice-presidente de Agronegócios do BB, ao Valor.

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Escalada

O montante de financiamentos liberados até agora é 60,4% maior que do mesmo período de 2020 (1º de julho a 16 de agosto). Já foram fechadas cerca de 100 mil operações. No Pronaf (agricultura familiar), o crescimento chegou a 43,5%, com R$ 3,3 bilhões concedidos para quase 50 mil produtores.

A alta dos juros nas linhas de crédito rural do Plano Safra 2021/22 não diminuiu a demanda dos produtores. A procura foi até mais robusta do que na virada de safra de junho para julho de 2020, quando as alíquotas recuaram. No último trimestre da safra 2020/21, de abril a junho, o BB emprestou R$ 36,7 bilhões.

Os números refletem, em parte, uma “reaproximação” do Banco do Brasil com o setor - embora sua liderança nunca tenha sido ameaçada. “O banco estava distante de todos. Havia recuado nos últimos três ou quatro anos porque tinha restrição de capital e teve atuação limitada. Agora temos folga de capital e é natural que esse recurso, que significa uma oportunidade, seja aplicado”, disse Naegele.

A carteira de agronegócios do BB alcançava R$ 205,9 bilhões na metade deste ano, 9,7% mais que em junho de 2020, e a perspectiva de crescimento no segundo semestre teve que ser ajustada para cima no último balanço da instituição, para um intervalo entre 11% e 15% até o fim de 2021. O banco tem 54,4% do mercado de crédito rural.

A certeza de que os financiamentos vão extrapolar as projeções iniciais também vem dos recursos adicionais que o banco vai ofertar. Na semana que vem, o BB lançará um novo programa para financiar os investimentos, categoria com demanda crescente.

A percepção é que o interesse dos produtores não vai diminuir, sustentado pelo cenário de bons preços agrícolas e de capitalização do setor. Além dos R$ 33 bilhões do Plano Safra, o BB vai disponibilizar mais dinheiro para projetos de irrigação, energias renováveis, recuperação de pastagens e aquisição de máquinas e equipamentos.

O aumento dos preços dos maquinários agrícolas, a previsão de expansão da área plantada no país e a retomada das feiras agropecuárias presenciais vão inflar a busca pela compra de máquinas, acredita o banco. Nesta safra, o BB não anunciou uma linha própria similar ao Moderfrota, mas ela fará parte desse programa adicional, disse Naegele, sem revelar valores e condições para a tomada dos recursos.

O BB também terá um pacote para apoiar a expansão da armazenagem, em complemento aos R$ 1,5 bilhão já disponíveis nas suas agências por meio do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) e do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO). O valor será definido até o início da próxima semana, em linha com a capacidade de entrega da indústria fabricante.

Para atender os pequenos produtores, o banco está construindo uma solução de consórcio para silos. Além disso, a instituição vai operar até US$ 300 milhões do New Development Bank (NDB) para os projetos de infraestrutura armazenadora. “Queremos entrar com uma linha de recurso próprio para poder garantir que haja dinheiro durante toda a safra. Sabemos que os valores do PCA vão acabar”, disse o vice-presidente.

A linha de industrialização é outro destaque deste ciclo. Enquanto em toda a safra 2020/21 os desembolsos nessa categoria somaram R$ 1,5 bilhão, em 33 dias, o BB já emprestou R$ 1,3 bilhão. O montante inicial da linha para a temporada 2021/22 é de R$ 2 bilhões. A instituição já anunciou que terá R$ 3,8 bilhões adicionais para cobrir a demanda, que avança principalmente entre as cooperativas, para capital de giro. O banco ainda programa para novembro o lançamento do seu Fiagro, nova alternativa de financiamento criada para oferta de recursos privados.

De olho nesse mercado, o BB identificou aumento da demanda por recursos de médio prazo e vai adequar seus produtos para isso. O prazo das Cédulas de Produto Rural (CPR) emitidas pelo banco passará de dois para cinco anos. Em um mês e meio, esses títulos já movimentaram R$ 1,2 bilhão com o financiamento de 18 produtos diferentes - na lista estão as tradicionais lavouras de soja e milho, produção de farinha de trigo no Nordeste, café beneficiado, frango vivo, uva, amendoim, derivados de leite e erva mate. As opções financiáveis passaram de 6 para 51 itens.

Os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), destinados a empresas e com tíquete maior, também financiaram R$ 1,2 bilhão no período. O desempenho dos títulos do agronegócio deve ultrapassar os R$ 10 bilhões previstos para a safra. Outra novidade nessa área será a criação de uma plataforma própria de registro de CPRs de terceiros, uma prestação de serviço para permitir a emissão e registro do título de forma digital e com mais transparência, afirmou Naegele.

O provável aumento do repasse de recursos das instituições financeiras que não conseguirão cumprir as exigibilidades do crédito rural é outro fator que deverá fazer o BB extrapolar o desembolso de R$ 135 bilhões. Em 2020/21, o BB captou R$ 6,5 bilhões por meio dos Depósitos Interfinanceiros Vinculados ao Crédito Rural (DIR). “Do que tiver no mercado, nós vamos pegar, porqueexiste demanda. Os bancos terão mais dificuldade para cumprir as exigibilidades por causa do aumento dos depósitos à vista e da Selic. Vamos ter oferta de DIR muito superior”, projetou.

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