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06-Jul-2018 10:59 - Atualizado em 06/07/2018 12:46
Transmitida por javalis

Brasil discute peste suína; Europa já registrou 4 mil casos da doença

O maior propagador da doença - que já chegou a Itália, Estónia, Ucrânia, Rússia e Húngria - é o javali selvagem

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) apresentou à Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), neste início de mês, o projeto “Brasil livre de Peste Suína Clássica”. O objetivo do programa é erradicar a Peste Suína Clássica (PSC) nos estados do Norte e Nordeste do país com o reconhecimento nacional até 2023. Além da consultora de Relações Governamentais da ABCS, Ana Paula Cenci, também participaram da reunião representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira de Veterinários Especialistas (Abraves) e Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (ABEGS).

O encontro aconteceu na última semana de junho e foi promovido pelo diretor do Departamento de Saúde Animal (DSA) do Mapa, Guilherme Marques, que na oportunidade explicou que a proposta terá o financiamento do Banco Internacional de Desenvolvimento (BID), mas que ainda é necessário o envolvimento de toda a cadeia suinícola. “É fundamental o apoio do setor produtivo, pois precisamos sensibilizar e estimular o desenvolvimento da suinocultura na região Nordeste. O engajamento de todos é primordial na articulação institucional”, destacou Marques.

Segundo a auditora fiscal federal agropecuária do Mapa, Lia Coswig, para o programa “Brasil Livre de Peste Suína Clássica” ser concretizado é necessário realizar a atualização cadastral com a caracterização do sistema produtivo. “Ter acesso às informações para preencher esse cadastro será um desafio pelas características do setor nestes estados. Por isso, vamos precisar atuar de forma sistêmica e estratégica junto à cadeia suinícola tecnificada, pois só assim vamos conseguir ser efetivos nesse cadastro”.

Com o intuito de cooperar com a Pasta, Cenci afirmou que a ABCS irá dar todo apoio ao programa e explicou que o mesmo trará diversos benefícios à suinocultura dessas regiões, além de proporcionar o avanço do status sanitário do país. “Estimular o desenvolvimento da suinocultura nos estados da zona não livre fortalecerá ainda mais o setor – que atualmente representa quase R$ 63 bilhões do PIB brasileiro – além de trazer um status sanitário benéfico para nossos parceiros internacionais, estimulando as exportações”.

Manejo e controle sanitário do Javali no Brasil

Na ocasião, os representantes do DSA do Mapa apresentaram ainda outro projeto: o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali. O objetivo deste programa é realizar o manejo populacional e o controle sanitário do animal no Brasil.  Isso porque, de acordo com a fiscal Lia Coswig, o Ministério vem buscando maior credibilidade do Brasil em questão de transparência para Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e parceiros comerciais. “Com o controle epidemiológico da espécie, vamos conseguir ampliar e incrementar ações de vigilância em asselvajado e consequentemente ter subsídios técnicos para traçar estratégias de ações futuras”. Os representantes do Departamento frisaram a importância da parceria com o setor produtivo para realização de campanhas que foquem no manejo e no monitoramento sanitário do Javali.

Europa registra 4 mil casos de Peste Suína Africana

A Peste Suína Africana (PSA), uma doença contagiosa que afeta principalmente os porcos domésticos e que na maioria das vezes se revela fatal, tem se alastrado no continente Europeu com maior incidência nos últimos meses. Desde julho de 2017 já se registaram cerca de quatro mil casos em países da Europa, entre os quais a Itália, a Estônia, a Ucrânia, a Rússia e a Hungria. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) do Brasil e entidades da suinocultura discutem o projeto sobre Peste Suína Clássica (PSC).

Em comunicado, a Associação Nacional de Proprietários Rurais, Gestão Cinegética e Biodiversidade (ANPC), de Portugal, alerta para o perigo que a PSA constitui e avisa de que nos próximos anos o vírus pode chegar ao país. Uma vez que o maior propagador da doença são os javalis selvagens, as associação aconselha que se faça uma gestão cinegética deste animal, de modo a evitar que o país importe animais dos países afetados nos últimos meses.

Para além de poder representar um grande arrombo na economia nacional dos países - uma vez que é maioritariamente fatal para o gado suíno - a Peste Suína Africana pode ainda ter impacto na saúde dos humanos, caso estes contraiam a infeção, causando sintomas como vômitos, diarreia e intoxicações alimentares.

Correio da Manhã (Portugal)
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