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BRF tem prejuízo líquido de R$ 240 milhões no segundo trimestre de 2021

Dona de Sadia e Perdigão encerrou o segundo trimestre com prejuízo líquido de R$ 240 milhões

Redação com informações de Valor Econômico
13-Ago-2021 07:50 - Atualizado em 13/08/2021 08:27

As despesas com juros e contingências e a pressão dos grãos sobre as margens operacionais levaram a BRF ao vermelho. Em balanço divulgado ontem à noite, a dona de Sadia e Perdigão reportou um prejuízo líquido de R$ 240 milhões no segundo trimestre, uma piora sensível na comparação com o lucro de R$ 307 milhões de igual intervalo de 2020.

A receita líquida da BRF totalizou R$ 11,6 bilhões. O aumento, de 27,8%, deveu-se ao maior volume comercializado (6%) e também ao preço médio mais alto (20,6%), ainda que insuficiente para compensar a alta dos custos.

Em entrevista ao Valor, Carlos Moura, vice-presidente de finanças e de relações com investidores da BRF, destrinchou o aumento das despesas financeiras, que saíram de R$ 167 milhões entre abril e junho do ano passado para quase R$ 800 milhões.

A grande responsável por essa diferença é uma opção de venda que o fundo soberano do Catar, sócio da BRF na produtora de carne de frango turca Banvit, possui. A opção, que vence no fim do ano, é atualizada por um múltiplo de Ebitda. Como o resultado da Banvit melhorou, esse valor foi atualizado para R$ 28 milhões. Um ano atrás, o contrário havia ocorrido - o pior desempenho da controlada turca reduziu as despesas financeiras em R$ 338 milhões. Vale ponderar que essas atualizações só vão afetar o caixa quando o fundo exercer a opção.

Mas as despesas com a Banvit não foram as únicas responsáveis pelo prejuízo trimestral. Excluindo esse impacto, a despesa teria crescido 38%, para R$ 731 milhões. Segundo Moura, as despesas com juros atrelados ao IPCA subiram, um resultado inevitável diante da forte aceleração da inflação no país. Na linha de juros, as despesas aumentaram 35,8% na comparação anual, totalizando R$ 431 milhões. As contingências (processos perdidos) também tiveram impacto, com aumento de 70%, somando R$ 148 milhões no trimestre

Na avaliação de Moura, o movimento do Banco Central de apertar as condições monetárias, elevando a taxa Selic, deve se traduzir em inflação mais baixa à frente, o que tende a aliviar o impacto das dívidas atreladas ao IPCA. “Há efeitos pontuais, mas estamos no caminho certo. Claro, a inflação atrapalha, tanto na despesa financeira quanto na margem operacional”.

De fato, a inflação de custos - sobretudo dos grãos usados na ração animal - prejudicou a margem bruta da companhia. Apesar disso, um analista de um grande banco avaliou que diante da disparada vista nos preços de soja e milho, a BRF conseguiu se “segurar bem” no lado operacional. Para ele, o tamanho da dívida - e da despesa financeira, consequentemente - é ainda é muito alto. Nesse cenário, os resultados precisam ser muito bons para pagar os credores e, ao final, também chegar ao acionista.

No segundo trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da BRF totalizou R$ 1,27 bilhão, aumento de 23% na comparação anual. Mesmo com a disparada dos grãos, a margem Ebitda caiu apenas 0,4% ponto, chegando a 10,9%. Em comparação, a rival Seara teve uma compressão de margem Ebitda bem maior (saindo de 16,9% para 9%). Considerando apenas o negócio no Brasil, a margem Ebitda da BRF caiu de 11,6% para 8,5%. O que sustentou a rentabilidade foi a operação internacional, que apresentou melhora no mercado do Oriente Médio, que a BRF lidera. Segundo Moura, a evolução da vacinação na região permitiu uma melhora da demanda do food service. Com restrições menores que em 2020, o Ramadã foi um período melhor.

Para um analista, as restrições da Arábia Saudita a vários frigoríficos brasileiros também pode ter tido efeito positivo sobre o resultado da BRF, que não teve frigoríficos afetados pela decisão saudita. No mercado halal, a margem Ebitda aumentou 7,6 pontos, chegando a 13,2%.

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