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Proteína cultivada

Carne cultivada in vitro é servida em restaurante de Singapura

A estimativa é que, em 2040, cerca de um terço da carne consumida no mundo seja produzida do cultivo celular

Redação com informações de Exame.
13-Jan-2022 09:19 - Atualizado em 13/01/2022 15:23

Se dissessem a você, uns cinco anos atrás, que em 2021 haveria restaurante servindo carne feita em laboratório, certamente acharia que era coisa de ficção científica. Mas, nesse curto intervalo, o que parecia improvável e distante se tornou uma realidade. 

Há poucos dias, um sofisticado restaurante em Singapura serviu no jantar o peito de frango cultivado in vitro de uma startup americana, como uma amostra dos novos produtos que a empresa teve autorização para comercializar no país. 

O evento celebrou o aniversário de um ano da primeira aprovação regulatória da mesma empresa em Singapura, que fez história como o primeiro governo a dar essa permissão. Um marco de como será o consumo de carne nas próximas décadas.

De lá para cá, se vê o aquecimento de um mercado que já envolve pelo menos dez países, segundo o The Good Food Institute (GFI), movimentando foodtechs e grandes companhias. Eram mais de 70 empresas pelo mundo no último mapeamento da entidade. Só em 2020, o setor recebeu 360 milhões de dólares em investimentos, seis vezes mais do que em 2019.

E esses números prometem crescer ano a ano: a projeção da consultoria alemã AT Kearney, por exemplo, é de que em 2040 cerca de 35% da carne consumida globalmente seja produzida dessa maneira.

Como funciona

A proteína cultivada pode parecer algo distante e complexo, mas a base do processo é simples e mais comum do que se imagina. 

Primeiro, é retirada uma pequena amostra de tecido do animal vivo (bovinos, suínos, frango ou pescado), por biópsia ou a partir de uma célula embrionária. Em uma placa de cultivo fora do animal, essa amostra é alimentada com nutrientes e fatores de crescimento, para que se multiplique em meio a um substrato até compor um tecido completo.

Tudo isso acontece dentro de biorreatores, equipamentos que funcionam como um vaso onde a célula poderá se multiplicar. De forma geral, a indústria de alimentos já está habituada a usar biorreatores ─ na produção de iogurtes, queijos e cervejas, por exemplo. 

Benefícios

Para alimentar uma população que pode chegar a 10 bilhões em 2050, a ONU estima que será preciso aumentar a produção de alimentos em 70%. Por outro lado, conter o aquecimento do planeta requer uma redução drástica nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), cujo sistema alimentar global está entre os principais responsáveis. 

A proteína criada do cultivo celular se apresenta então como uma alternativa para equacionar essas questões, diminuindo consideravelmente o impacto da produção de alimentos no meio ambiente. 

O processo in vitro elimina o abate, portanto, minimiza os rebanhos. Além do fator ético, isso significa menos GEE sendo emitido na atmosfera, menos grãos produzidos para alimentar os animais, menos recursos naturais usados e mais áreas liberadas para estratégias de conservação e proteção da biodiversidade.

Um estudo encomendado pelo GFI e a empresa asiática Gaia aponta que esse modelo de produção pode derrubar o uso da terra em até 98%, o uso de água em até 95% e a pegada de carbono em até 80%. 

Em adição aos ganhos ambientais, a tecnologia favorece o bem-estar animal e oferece benefícios à saúde humana, já que resultaria em uma carne livre de hormônios, antibióticos e outros contaminantes.

É relativo 

Embora, em teoria, haja muito menos emissão direta de GEE na proteína desenvolvida em laboratório, pesquisadores da Universidade de Oxford concluíram que não é garantido que o processo como um todo seja climaticamente superior ao gado convencional.

Para que o resultado seja realmente positivo nesse sentido, é preciso também pensar em sistemas de produção e ambientes de fabricação descarbonizados, com uso de energia limpa.

Caso contrário, as emissões de GEE, no fim das contas, podem até ser superiores, já que o metano expelido pelos animais tem vida útil de apenas 12 anos, enquanto o carbono que pode ser gerado nos laboratórios tem persistência milenar.

Perspectivas

Ainda são vários os desafios até que os produtos cheguem aos supermercados competindo com a carne convencional, principalmente no quesito preço. Porém, cientistas e empresas mundo afora seguem em ritmo acelerado na direção de tornar a produção viável para escala comercial. 

Para isso, são crescentes os investimentos em pesquisa, a criação de institutos especializados, o número de profissionais se preparando para fazer carreira na área e governos estabelecendo caminhos regulatórios. 

E esse é um movimento que está só começando, segundo Elliot Swartz, cientista-chefe de carne cultivada na equipe de Ciência e Tecnologia do GFI. Em artigo, ele lembra que muitas indústrias experimentaram trajetórias semelhantes, como a de energia solar. 

“Em seus primeiros dias, com preços exorbitantes, os módulos solares fotovoltaicos foram evitados, mas acabaram ganhando espaço ao atender a indústria de satélites. À medida que mais módulos fotovoltaicos eram produzidos para espaçonaves, seus custos diminuíam, permitindo o acesso em mercados muito maiores e mais convencionais na Terra. Isso criou um ciclo de feedback positivo que resultou em um declínio de 99,6% nos custos da energia solar fotovoltaica desde 1976, com declínios concomitantes nos preços da energia solar”, diz.

O Brasil já ingressou nesse mercado. Universidades, startups e grandes companhias estão se movimentando para acompanhar as inovações no segmento. 

A JBS, por exemplo, que é a maior companhia global de proteínas, firmou um acordo em novembro para aquisição da empresa espanhola BioTech Foods, especializada no desenvolvimento de biotecnologia para produção de carne cultivada. 

A negociação inclui o investimento na construção de uma nova unidade fabril na Espanha e a implantação do primeiro Centro de Pesquisa & Desenvolvimento em Proteína Cultivada do Brasil, previsto para ser inaugurado em 2022 com cerca de 25 pesquisadores.

“Esta aquisição reforça nossa estratégia de inovação, desde como desenvolvemos novos produtos até como comercializamos, para atender à crescente demanda global por alimentos. Unindo o conhecimento tecnológico com nossa capacidade de produção, seremos capazes de acelerar o desenvolvimento do mercado de proteína cultivada”, declarou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS.

A BioTech opera uma planta piloto na cidade de San Sebastián e a previsão é atingir a produção comercial em 2024. Segundo a JBS, inicialmente, o produto chegará aos consumidores em alimentos preparados (hambúrgueres, embutidos, almôndegas etc.) com a mesma qualidade, segurança, sabor e textura da proteína tradicional. 

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