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29-Nov-2019 13:58 - Atualizado em 02/12/2019 09:19
Comercio exterior

China quer ampliar comércio com Brasil e América Latina, diz Xi Jinping

Em reunião bilateral prévia à cúpula do Brics, o chinês também cobrou de Bolsonaro um esforço conjunto para que o bloco dos países emergentes, integrado também por Rússia, Índia e África do Sul, defenda o “multilateralismo” e os direitos das nações em desenvolvimento frente às grandes potências.

O presidente da China, Xi Jinping, pediu nesta quarta-feira, 13, o envolvimento do Brasil para expandir seus negócios na América Latina e no Caribe, áreas de interesse comercial do país e de forte influência econômica e geopolítica dos Estados Unidos, que tem sido parceiro preferencial do governo Jair Bolsonaro.

Em reunião bilateral prévia à cúpula do Brics, o chinês também cobrou de Bolsonaro um esforço conjunto para que o bloco dos países emergentes, integrado também por Rússia, Índia e África do Sul, defenda o “multilateralismo” e os direitos das nações em desenvolvimento frente às grandes potências.

“A China atribui grande importância à influência do Brasil na América Latina e o Caribe. Vamos aproveitar nossas vantagens para promover o desenvolvimento comum, visando criar relações China /América Latina e Caribe na nova era, caracterizada pela igualdade, benefício mútuo, inovação, abertura e benefícios para o povo”, disse Xi Jinping, em declaração à imprensa após o encontro no Palácio Itamaraty. “A China gostaria de tratar a cooperação de três ou mais partes baseada no respeito às vontades dos países da região para fazer um bolo maior e realizar ganhos compartilhados.”

Desde o ano passado, a China trava uma guerra tarifária com os Estados Unidos, com avanços e recuos nos entendimentos, e passou a usar as cúpulas do Brics como um mecanismo de exposição e influência internacional para defender seus interesses e cobrar equidade no tratamento aos países em desenvolvimento.

 

No encontro bilateral, Xi Jinping apelou a Bolsonaro por uma posição contra o unilateralismo na declaração do Brics, sem citar em público as tarifações impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump. Ele considerou que o Brasil e a China são os principais mercados emergentes do Ocidente e Oriente no contexto internacional de “mudanças profundas e complexas”.

“Brasil e China devem se esforçar juntos para que a cúpula tenha resultados frutíferos e emitir sinal positivo de que os membros consolidam a parceria estratégica, apoiam o multilateralismo, a equidade e a justiça internacional e defendem os direitos dos países em desenvolvimento para que os Brics avancem constantemente na segunda década dourada trazendo benefícios aos nossos povos”, disse Xi.

Segunda “década dourada” é o termo cunhado na diplomacia chinesa para se referir à segunda década de existência do bloco, que completou dez anos em 2018. Agora, porém, as economias do Brics não crescem no mesmo ritmo que nos primeiros dez anos.

Segundo o presidente chinês, houve “amplos consensos” na conversa com Bolsonaro sobre os interesses comuns. Ele reafirmou que os países mantêm relação de confiança e que deseja a China atualizar a parceria estratégica com o Brasil e ampliar a cooperação.

“A China está disposta a trabalhar junto com o Brasil para promover o intercâmbio em pé de igualdade”, declarou o presidente chinês. “Decidimos juntos continuar intensificando contatos de alto e outros níveis, aprofundar a confiança política mútua e fazer bom uso de mecanismos bilaterais e aumentar o comércio e o investimento.”

Xi Jinping citou interesse na carteira de obras e projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) brasileiro e que deseja realizar cooperação em agricultura, energia, mineração, óleo e gás, infraestrutura, eletricidade, ciência, tecnologia e inovação e economia digital.

Estadão Conteúdo
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