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Inovação no Campo

Dejetos da suinocultura podem fortalecer agronegócio

Grupo de pesquisadores observou o potencial de biodigestores que processam os dejetos da suinocultura para a geração de energia para o uso como ração na produção pecuária

Redação com informações de Jornal do Oeste
05-Ago-2021 08:39 - Atualizado em 05/08/2021 08:52

Um grupo de pesquisadores esteve em Toledo no início desta semana para observar o potencial de biodigestores que processam os dejetos da suinocultura para a geração de energia também produzirem microalgas que podem ser usadas como ração na produção pecuária. O primeiro compromisso da comitiva foi na tarde de segunda-feira (2), com a recepção do prefeito Beto Lunitti em seu gabinete, que reforçou o compromisso de seu governo com as melhores práticas de sustentabilidade de forma a transformar os passivos ambientais da biomassa e preservar, assim, o ar, a água e o solo.

A partir de então, os casais João Alfredo Medeiros e Maria Lúcia Couto Corrêa Pinto, químicos e professores (ele já aposentado) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Percy Spitzner Júnior e Emília Abeche Spitzner, ele engenheiro químico e professor aposentado da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e ela advogada especialista em Direito Ambiental, iniciaram um tour por propriedades rurais onde o metano resultante dos resíduos da suinocultura é transformado em energia. Durante sua estadia em Toledo, eles também conheceram a estrutura de uma empresa especializada na produção e comercialização de alevinos e as instalações da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) São Francisco.

Os químicos avaliaram a possibilidade de separar o metano do dióxido de carbono (CO2, também conhecido como “gás carbônico”), muito utilizado para o cultivo de microalgas e cianobactérias como fonte de carbono e controle de potencial hidrogeniônico (pH). Em determinadas condições de temperatura e pressão, este gás carbônico pode resultar em carbonatos e bicarbonatos de sódio, os quais, em grandes concentrações, favorecem o crescimento da espirulina, microalga existente há 3,5 bilhões e que, em razão dos altos teores de proteínas (em torno de 60%) e vitaminas importantes, tem sido usada como fonte de alimentação pela humanidade em vários lugares e épocas da História.

O grupo de especialistas foi acompanhado pelo secretário especial de Governo, Mário Bracht; pelo diretor-executivo da Fundação para o Desenvolvimento da Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Toledo (Funtec), Carlos Alberto Nascimento; pelo diretor de Desenvolvimento Agropecuário e Abastecimento da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, de Inovação e Turismo (Deseco), João Luis Nogueira. “A partir dessa primeira visita, as partes envolvidas avaliarão a viabilidade financeira e operacional da cultura de espirulina a partir do fracionamento entre metano e CO2. Se der certo, seguiremos transformando um passivo ambiental em geração de energia, mas também em proteína animal, pois este produto poderá fazer parte da ração destinada a diversas cadeiras da pecuária, especialmente a piscicultura. Com isso, nosso agronegócio se tornará ainda mais rentável e competitivo”, avalia Bracht. “Essa ideia vai ao encontro do nosso plano de desenvolver tecnologias para o campo a partir de uma propriedade-piloto onde seriam feitos testes a fim de obter, por exemplo, o melhor aproveitamento dos resíduos da suinocultura, uma união de saberes e matérias-primas para encontrarmos soluções inovadoras”, salienta o secretário.

Os pesquisadores ficaram impressionados com a força do agronegócio de Toledo e veem potencial para a produção de espirulina a partir dos dejetos da suinocultura. “A estrutura que vimos nas propriedades nos dá a segurança de que este projeto tem tudo para ser muito bem-sucedido em Toledo, pois temos aqui um produtor empreendedor, com nível de conhecimento acima do de outros lugares pode onde passamos”, avalia Percy. “Temos aqui um grau de tecnologia no campo só comparável ao que eu observei no Canadá e na Alemanha, mas lá é numa escala bem menor. É num ambiente favorável como este que poderemos transformar o gás carbônico, que causa o efeito estufa e mudanças climáticas regionais, em alimento”, analisa.

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