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Estratégia Nutricional

Desafios práticos do uso de flushing para matrizes suínas

O flushing é uma estratégia nutricional que consiste em um maior aporte de energia alguns dias antes da cobertura prevista

Jeovane Souza

Assessor Técnico Suínos da Vaccinar

11-Jan-2022 09:53 - Atualizado em 11/01/2022 10:19

As atividades de produção agropecuária necessitam cada vez mais tecnologia empregada para manterem as melhorias em produtividade e competitividade. Ao avaliarmos o desempenho da suinocultura moderna, devemos observar alguns pontos relevantes como genética, nutrição, instalações, sanidade e manejo. Um dos essenciais transformadores que vem se destacando no mercado é o melhoramento genético e a correlação com a nutrição oferecida.

O melhoramento genético vem dando grandes saltos dentro do sistema, visando selecionar fêmeas suínas que apresentam maior taxa de ovulação e consequentemente maiores leitegadas, resultando-se em fêmeas hiperprolificas.

Ao mesmo tempo, tendo a preocupação com as fêmeas hiperprolificas, o seguimento de nutrição vem ganhando destaque no mercado no desempenho nutricional e realizando a interação entre dietas ricas em energias e nutrientes essenciais que supram a necessidade exigida pelo organismo da matriz.

Uma estratégia conhecida e amplamente empregada para melhorar a reprodução de multíparas e marrãs antes da inseminação é o flushing, estratégia nutricional que consiste em um maior aporte de energia alguns dias antes da cobertura prevista (cerca de 14 dias). O efeito gerado pelo “flushing” não é super-ovulatório, mas tão somente permitir a maximização do potencial ovulatório através de um status hormonal mais adequado (MACHADO, 2008). Segundo CARDOSO (2018), o objetivo deste aumento é uma melhoria na taxa de ovulação e consequentemente um aumento no número de nascidos. MACHADO (2008) relatou que considerando o papel relevante que a insulina pode desempenhar nas interações entre a nutrição e a reprodução de marrãs, pode-se inferir que dietas efetivamente provocam o aumento no nível de insulina plasmática que representa uma importante ferramenta para a melhoria da eficiência reprodutiva dos rebanhos. O princípio básico para a definição das dietas está fundado na hipótese de que uma das fontes energéticas (carboidratos) promoveria maior resposta de insulina aguda.

Uma vez iniciadas as coberturas daquele grupo de leitoas, o manejo alimentar deve ser imediatamente alterado para os padrões pós-cobertura, ou seja, restrição moderada durante os primeiros dias de gestação (MACHADO, 2008).

Apesar de vários estudos e experimentos comprovarem a importância da realização do flushing nas granjas de suínos, alguns erros de manejo são encontrados na prática os quais com frequência comprometem o resultado final esperado.

Observa-se que na grande maioria das granjas existe o conhecimento da forma correta de realizar o manejo de flushing, tanto em leitoas quanto em multíparas, porém é comum deparar com falhas e dificuldades na implantação e execução do manejo propriamente dito. 

Dificuldades na implantação e execução no flushing de leitoas

  • Alimentação inadequada e volume que não atende as exigências nutricionais no período do flushing;
  • Falta de instalações adequadas e dimensionadas que permitam alojar as leitoas em gaiolas de 10 a 14 dias antes da inseminação;
  • Falhas na fase de preparação das leitoas, formação de lotes semanais e planejamento de reposição anual;
  • Movimentação de leitoas em cio para o fluxo de inseminação provocando stress e perdas reprodutivas;
  • Transferência de leitoas de baias em cio direto para o fluxo de inseminação sem a devida adaptação na gaiola;
  • Inseminação de leitoas jovens e de baixo peso devido falta de planejamento de volume de reposição constante;
  • Acompanhamento e fornecimento inadequado de ração prejudicando o escore corporal das leitoas, as quais se apresentam muito gordas ou muito magras no período de flushing.

Dificuldades na implantação e execução no flushing de matrizes multíparas

  • Alimentação inadequada e com baixo volume diário em granjas que dispõem do comedouro modelo “calha”, tendo necessidade de fornecer ração e água no mesmo comedouro;
  • Gestantes e matrizes no período pré-inseminação alojadas próximas no mesmo galpão, com necessidade de manejos alimentares distintos, restrição alimentar e flushing, respectivamente;
  • Movimentação de porcas no cio para fluxo de cobertura em granjas que adotam galpão de flushing;
  • Utilização de ração gestação e flushing com volumes diferentes em sistemas automatizados em uma única linha de alimentação.

Observa-se que cada granja tem suas particularidades e dificuldades na implantação do flushing, muitas delas devido a estrutura operacional e ampliação do plantel de matrizes desordenado e falta de planejamento. Antes de realizar um projeto novo ou de ampliação de plantel é muito importante respeitar as necessidades para execução do manejo na prática.

Pontos a serem observados para uma boa execução do manejo de flushing

  • Utilizar galpão específico para leitoas com gaiolas dimensionadas para alojamento duas semanas antes da cobertura, permitindo a realização do manejo correto de flushing pré-inseminação;
  • Instalação de bebedouros modelo “chupetas” no caso de gaiolas, para realizar o desmame de porcas no fluxo de cobertura, possibilitando utilizar um volume maior de ração para as porcas desmamadas;
  • As granjas que dispõem de alimentação automatizada e utilizam ração gestação no flushing, devem suplementar as porcas desmamadas com açúcar e suplementos específicos, já desenvolvidos para este fim, nas dosagens corretas recomendadas.

As granjas que adotam e executam o manejo de flushing de forma correta, tanto em leitoas quanto em matrizes multíparas, têm obtido os melhores resultados reprodutivos, justificando o investimento em estrutura e mão de obra qualificada na execução deste importante manejo.

REFERÊNCIAS

MACHADO, G.S. Efeitos de diferentes fontes de energia sobre taxa ovulatória, fertilidade e sobrevivência embrionária em marrãs cíclicas. Belo Horizonte. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.60, n.3, p.600-606, 2008.

CARDOSO, L.A; BARBOSA, N.P.M.O; SOUZA, J.P.P; LOPES,I.M.G; PAULA, G.S; SILVA, B.A.N; CROCOMO, L.F. RELAÇÃO ENTRE PROLIFICIDADE, NATMORTALIDADE, MUMIFICAÇÃO E MORTE POR ESMAGAMENTO EM MATRIZES SUÍNAS DA RAÇA LARGE WHITE X LANDRACE. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 55°, 2018, Goiania-GO. Zootecnia Brasil, 27 a 28 de agosto. 04.

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