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Entre mármores e granitos

Instalada na terra do mármore, a Granja São José dá um show de produtividade, dedicação e economia.

Parte dos galpões da São José – Fotos: Daniel Rodrigues da Costa

Redação SI (Edição JUN/JUL-2001) – Numa região em que impera a industrialização do mármore e do granito, a suinocultura, aos poucos, vem conquistando o seu espaço. A prova disso é a Granja São José, localizada no distrito de Conduru (ES), entre os municípios de Castelo e de Cachoeiro de Itapemirim. Lá, o proprietário José Puppin mantém 347 matrizes suínas alojadas, formando um plantel de 4500 animais. A produtividade da granja é boa. Nos últimos 12 meses foram registrados 25,9 leitões desmamados por porca e uma média de produção de 700 terminados/mês.

A São José foi construída há 14 anos e sempre esteve em processo de expansão e aprimoramento. “Comecei com algumas poucas matrizes”, diz Puppin. “Minha meta é saltar para 500 matrizes em um ano”. Todo o plantel da granja é da Agroceres PIC que, de acordo com o proprietário, é a genética suína que produz o maior número de leitões por porca ao ano, apresenta o melhor rendimento de abate e conta com a melhor atualização genética do mercado. As fêmeas suínas da granja são da linhagem Camborough 22 e os machos são AGPIC 412.

Disposição – O município de Castelo, distante 20 km de Cachoeiro de Itapemirim, possui cerca de 35 mil habitantes e chama a atenção pelo enorme número de pedreiras, beneficiadoras de mármore e de granito, instaladas na região. A atividade agrícola é a segunda fonte da economia da cidade, destacando-se a bovinocultura de corte e de leite, a suinocultura, a avicultura e o cultivo do café. José Puppin (na foto ao lado com seu filho André) há anos dedica-se apenas à suinocultura e à sua lavoura de café.

A Granja São José está construída numa área de 30 hectares e opera em dois sítios. No primeiro, ficam os galpões da maternidade (02), da gestação (02) e da creche (02). No sítio dois encontram-se os galpões de recria e terminação. “Aqui, estamos ampliando de dois para três galpões”, conta Puppin. A granja também aloja 30 avós destinadas à reposição do próprio plantel, numa parceria feita com a Agroceres PIC, que recebe apenas os royalties das matrizes Camborough 22 selecionadas para reprodução.

Os alojamentos dos animais são todos construídos em alvenaria, alguns com telhas de barro e outros de amianto. Árvores de várias espécies fazem a barreira natural da granja, que também conta com cercas de alambrado. Todo o fornecimento de ração da granja é manual, com exceção da gestação, que é automatizada. “A automação na gestação ajuda a conseguir uma melhor uniformidade entre as fêmeas, reduz o estresse do tratamento e facilita a mão-de-obra”, descreve o suinocultor. Na terminação, as baias contam com lâminas dágua para favorecer o bem-estar dos suínos. O dia-a-dia da granja envolve o trabalho de 17 pessoas, entre os turnos, escritório, transporte e obras de ampliação.

Além dos galpões dos animais, a propriedade conta com uma fábrica de ração própria e com uma minicentral de inseminação artificial. “O plantel é 100% inseminado”. Na central estão alojados oito machos AGPIC 412. A produção gira em torno de 500 doses de sêmen ao mês. Segundo Puppin, essas doses abastecem a São José e uma granja vizinha, a quem ele comercializa metade da produção de sêmen. Quanto à fábrica de ração, são produzidas mensalmente 250 toneladas no local.

A granja também já se preparou para o racionamento de energia elétrica, que comprometerá o consumo de praticamente todo o território brasileiro nos próximos meses. José Puppin diz que investiu cerca de R$ 6 mil para adequar sua granja à economia de energia. “Troquei todas as lâmpadas dos galpões por lâmpadas fluorescentes e refiz toda a fiação elétrica, que já era bem antiga”. Só com estas providências, efetivadas no final do mês de abril, Puppin registrou uma economia de 40% no consumo de energia elétrica, de acordo com a última conta. “E ainda espero reduzir mais o consumo”. A estratégia adicional para essa redução está na troca do turno de atividade da fábrica de ração, que hoje opera de dia. “À noite o consumo de energia elétrica é menor, pois a maioria das pessoas da cidade e do campo está dormindo”.

Além da economia energética, a granja está economizando nas obras de ampliação dos galpões (detalhe na foto). O novo galpão da terminação está sendo construído em alvenaria com estrutura de madeiras roliças de eucalipto para o telhado. “Este material ajuda a baratear a construção”, diz Puppin. Mais economia pode ser encontrada no piso do galpão. No meio de tantas beneficiadoras de mármore e granito, a granja acabou recebendo como doação de uma delas algumas placas de granito (que seriam refugo para as pedreiras). “Com estas placas brutas de granito vamos revestir o chão do galpão e apenas rejuntar com cimento”. Puppin diz que a economia com cimento no chão desta construção vai chegar a 80% com a utilização das placas de granito.

Nutrição e sanidade – A alimentação do plantel da São José é orientada pela Agroceres Nutrição Animal. “São utilizados núcleos por serem mais seguros na hora da fabricação e por garantir uma mistura mais adequada”. Nas fases pré-iniciais são administrados os concentrados da linha Avant (ração tipo papinha com 20% de lactose), produtos desenvolvidos para promover a conversão dos animais, já que o desmame dos leitões é realizado aos 19 dias de idade. Puppin conta que os leitões mais fracos recebem um sucedânio de leite e gordura de côco nos primeiros seis dias para obter resistência. “Após o desmame, os animais são colocados em salas lavadas e desinfetadas, nas quais procura-se manter a temperatura dentro da melhor zona de conforto para a leitoa (em torno dos 29C)”. Os leitões menores recebem ração papinha por mais alguns dias e os demais ração molhada até a saída da creche, que ocorre entre 65 e 70 dias de idade. A ração nesta fase é fornecida várias vezes ao dia.

Durante o crescimento, os suínos são alimentados com ração formulada a 18% de proteína até os 119 dias, quando começam a receber a ração terminação, com 16% de proteína até o abate. Na gestação, as porcas recém desmamadas recebem ração lactação até a inseminação. Logo após, começam a receber a ração gestação flushing, até os 109 dias, quando são transferidas à maternidade. Nesta fase, as porcas em gestação recebem uma ração com mais fibras durante os cinco dias que antecedem ao parto, evitando problemas de constipação e ajudando a reduzir a natimortalidade. E para fechar o ciclo, um dias após o parto, as fêmeas recebem a ração lactação com no mínimo 3400 calorias por quilo à vontade. “Os animais Agroceres PIC respondem muito bem à alimentação, convertendo os nutrientes para a produção de carne magra e carcaças de qualidade”, diz o suinocultor.

O programa sanitário da Granja São José obedece aos requisitos obrigatórios do setor, sendo já uma granja GSMD (Granja de Suínos com Mínimo de Doenças). A vacinação nas marrãs é feita aos 170 e 185 dias de idade, contra Parvovirose, erisipela e Leptospirose. As matrizes são vacinadas aos 10 dias após o parto contra as mesmas enfermidades. “As fêmeas destinadas à reprodução recebem uma dose da vacina contra Erisipela aos 70 dias de idade”, diz José Puppin. O acompanhamento de abate é realizado duas vezes ao ano, no mesmo frigorífico em que destina 90% de sua produção, o Frigorífico Cofrio, de Cachoeiro de Itapemirim. Toda a assessoria técnica da granja é orientada pelo médico veterinário Fernando Retamal, da Atecsui.

Espinha dorsal – A equipe da São José, composta por 13 pessoas (as outras quatro estão envolvidas apenas nas obras do novo galpão), toca a propriedade de maneira eficiente, sem deixar o clima de amizade, sobretudo, de fora. “Eu faço questão de vir à granja todos os dias para acompanhar o andamento das atividades e, muitas vezes, também coloco a mão na massa”, confessa o proprietário. Todos os índices e resultados positivos da São José são, em grande parte, creditados aos funcionários. “Após o trabalho de manejo e dedicação do pessoal, o PigCHAMP (software de gerenciamento de dados da granja, comercializado pela Agroceres PIC e que também fornece o suporte técnico) encarrega-se de revelar os ótimos índices de produtividade que temos obtido nos últimos anos, gradativamente”, explica.

Também relacionado ao manejo, José Puppin não mede esforços e números para aprimorar sua granja. O suinocultor está investindo R$ 38 mil, em recursos próprios, numa moderna estação de tratamento de dejetos. “O projeto está sendo desenvolvido e executado pela Ecoltec”. Por enquanto, a granja conta com quatro lagoas de decantação para tratar os dejetos suínos gerados. A idéia, com a nova estação, é de aproveitar os dejetos tratados na fertirrigação da lavoura de café. “Vamos gerar um subproduto, a partir dos dejetos suínos, útil e produtivo para a nossa região”. A estimativa é de iniciar as operações da nova estação em meados de julho.

Alternativas financeiras

Nos dias de hoje, manter uma granja suinícola com altos índices de produtividade e atualização com as tendências do mercado exige investimentos constantes por parte do suinocultor. E como a economia brasileira não é lá das mais lineares, a solução encontrada pelos produtores fica à cargo dos empréstimos e das linhas de crédito agropecuárias, que não são muitas. O Banco do Brasil inovou ao disponibilizar o BB Agro (um convênio de cooperação técnico/financeiro entre a instituição e os fornecedores de equipamentos, genética animal e insumos) e mais o Custeio Pecuário para ajudar os agricultores e pecuaristas a abastecer suas propriedades. Antonio Ferraz Temer, gerente da agência do Branco do Brasil de Castelo (ES), orgulha-se ao dizer que a sua agência foi a pioneira no País a fechar um contrato de financiamento para a compra de matrizes suínas, no caso, por meio do convênio com a Agroceres PIC, como fornecedor, para a Granja São José. “O BB Agro disponibiliza um empréstimo ao produtor, mediante avaliação de renda e produtividade da propriedade rural, com juros fixados a 8,75% ao ano e prazo normalmente estipulado em até 36 meses”, explica. O BB Agro foi criado com o objetivo de envolver toda a cadeia produtiva e financiar até 90% do projeto rural. O banco procura ou é procurado pelas empresas fornecedoras de insumos, equipamentos, genética animal, medicamentos, entre outras, para realizar o cadastro e o convênio para vendas diretas ao produtor. “A dívida do produtor é com o banco, já que este acerta todos os encargos com a empresa fornecedora conveniada”. O Custeio Pecuário, conforme descreve Temer, é um outro tipo de financiamento disponibilizado pelo Banco do Brasil, só que com uma diferença: o valor do empréstimo é limitado a R$ 40 mil. “O Custeio é destinado a pequenos investimentos dentro da propriedade, como compra de estoque de insumos (ração, milho, soja, lotes de medicamentos) com o valor disponibilizado de acordo com os rendimentos da mesma”, diz o gerente. “Cada caso é avaliado pelo banco e o empréstimo é liberado com pagamentos ajustados à realidade do produtor”, completa Vagno Luís Delazaro, analista de negócios do BB. Os juros neste financiamento também são de 8,75% ao ano. José Puppin, proprietário da Granja São José diz que esta é uma ótima alternativa aos pequenos produtores, pois o empréstimo é liberado conforme a necessidade e a realidade de pagamento do criador, a juros abaixo dos praticados no mercado. “Eu fechei um contrato BB Agro para a compra de novos animais da Agroceres PIC para a granja”, conta. O Banco do Brasil ainda disponibiliza aos produtores rurais o CPR (Cédula do Produto Rural), nas modalidades física e financeira. Um investimento de compra e venda de insumos com prazos e preços pré-fixados, com a garantia da entrega, data, local, quantidade e qualidade do produto. “O produtor pode comprar ou vender seus produtos por meio de leilão eletrônico, administrado em Brasília e supervisionado pelos corretores do banco, ou direto no balcão”, explica Antonio Temer. Para poder usufruir das facilidades dos créditos do Banco do Brasil, o produtor interessado deve procurar qualquer agência do banco e solicitar maiores informações. Para se cadastrar, é necessário apresentar os documentos pessoais (RG, CIC, Título de Eleitor), comprovante de residência e todos os documentos da propriedade, abrir uma conta corrente no banco e esperar a avaliação do crédito. O empréstimo sai personalizado, ajudando ao produtor a incrementar sua propriedade.

Índices da Granja
Plantel de fêmeas ativas (incluindo as leitoas para reposição): 347
Número de granjas: 01
Leitões desmamados/fêmeas cob./ano (1999/2000): 25,9
Taxa de parição (ajustada): 88,4%
Intervalo entre partos: 143 dias
Dias não-produtivos: 51,4 dias
Peso médio de abate: 105 kg
Idade média de abate: 158 dias
Rendimento de carne magra: 55%
Conversão alimentar (rebanho): 2,8
Ganho médio diário (nascimento ao abate): 713 gramas
Fonte: PigCHAMP.

Parte integrante da revista Suinocultura Industrial, no. 152, edição JUN/JUL2001. ???????