Guia Gessulli
26-Jun-2020 10:17
Comercio Internacional

Exportadores americanos resistem a pedidos chineses de garantias sobre Covid-19

Nesta semana, autoridades federais dos EUA optaram por deixar a decisão para as empresas exportadoras, afirmou uma das fontes.

A China está aumentando as restrições à importação de alimentos para impedir o ressurgimento do novo coronavírus no país, mas seus esforços estão enfrentando alguma resistência de agências governamentais e de grandes exportadores de alimentos. Na semana passada, o Departamento de Alfândegas da China pediu que as empresas que exportam carne, lácteos e outros alimentos ao país assinem documentos declarando que os produtos não foram contaminados pelo vírus e estão em conformidade com as leis chinesas e as diretrizes internacionais de segurança alimentar durante a pandemia de covid-19.

As autoridades chinesas também pediram que as empresas concordem em tomar "todas as medidas necessárias para eliminar os riscos à segurança alimentar" se encontrarem casos suspeitos de coronavírus, segundo executivos da indústria de carne e exportadores que receberam a carta.

A China resolveu enviar as solicitações depois que um surto de covid-19 em Pequim neste mês foi associado a um mercado atacadista de carnes e vegetais. Autoridades de saúde da cidade disseram ter encontrado o coronavírus em uma tábua de corte pertencente a um vendedor de salmão importado. Isso levou a inspeções de segurança em armazéns, supermercados e outras instalações de manipulação de alimentos.

O secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, e o comissário da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) do país, Stephen M. Hahn, disseram ontem, em comunicado conjunto, que não há evidência de que o novo coronavírus possa ser transmitido por alimentos ou pela embalagem dos alimentos. "Os esforços de alguns países para restringir exportações globais de alimentos por causa da covid-19 não são consistentes com o que se sabe cientificamente sobre a transmissão", afirmaram Perdue e Hahn.

O Departamento de Alfândegas da China não respondeu a um pedido para comentar o assunto.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e autoridades de Comércio do país inicialmente alertaram exportadores de alimentos sobre a assinatura de tais documentos, disseram fontes. Porém, nesta semana, autoridades federais dos EUA optaram por deixar a decisão para as empresas exportadoras, afirmou uma das fontes.

"A maior parte dos nossos produtores de aves nos EUA forneceu ao importador uma declaração conforme solicitado pelas autoridades chinesas, para ajudar a garantir que seus produtos não serão rejeitados no porto, como ocorreu com a maioria das empresas de todo o mundo", disse James Sumner, presidente do Conselho de Exportação de Aves e Ovos dos EUA. Algumas empresas assinaram os documentos da China e outras apresentaram suas próprias versões, disse.

Pequim registrou mais de 250 casos do novo coronavírus desde 11 de junho. As principais autoridades de saúde do país disseram não haver evidências de que o coronavírus foi transmitido pelo salmão importado. Mesmo assim, a China suspendeu recentemente a importação de carne de pelo menos quatro unidades dos EUA, do Brasil e da Europa, citando surtos de covid-19 entre trabalhadores das plantas.

Alguns executivos da indústria de alimentos dos EUA temem que a China possa usar esses atestados como um motivo para rejeitar ou atrasar os embarques de produtos. Eles também disseram ter reservas quanto a assinar um atestado sem saber com quais leis e regulamentos chineses eles concordariam.

Um porta-voz da Tyson disse que a empresa concordou com o pedido da China. "Temos muita confiança na segurança de nossos produtos e adotamos medidas que estão em total conformidade com todos os requisitos aplicáveis, e assinamos a certificação com base nisso", afirmou.

A Austrália disse que está desencorajando alguns exportadores de alimentos de assinar declarações adicionais de segurança alimentar para produtos que vão para a China.

Algumas associações comerciais e importadores chineses buscaram garantias individuais junto a produtores de alimentos canadenses, o que o governo do Canadá está deixando a critério das empresas.

O Ministério das Indústrias Primárias da Nova Zelândia confirmou que os exportadores de lá também receberam o pedido da China para assinar uma declaração sobre covid-19, algo que entendeu ser voluntário, segundo um porta-voz.

Darin Friedrichs, analista sênior de commodities do StoneX Group na Ásia, disse que os esforços da China para testar produtos e buscar garantias dos exportadores podem parecer exagerados, uma vez que é improvável que o vírus seja transmitido por alimentos importados. "Eles estão sendo excessivamente cautelosos neste momento", disse.

Redação AI/SI
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