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Futuro da suinocultura paulista depende da oferta de milho

A redução do plantel, segundo Ferreira, deverá ser sentida pelo mercado apenas no segundo semestre, quando o milho atinge o maior valor em conseqüência da entressafra.

Redação SI 07/02/2003 – O futuro da suinocultura paulista depende das negociações do setor com o governo federal para a implantação do sistema de garantia de preço por meio de estoques reguladores de grãos, em particular do milho.

O desabastecimento de milho, no ano passado, que causou o aumento do preço do insumo, provocou a redução do plantel paulista de suínos em 12%, se comparado com a produção registrada em 2001, segundo o presidente da Associação Paulitas dos Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira.

“Serão 18 mil matrizes a menos este ano, ou seja, 32,4 mil toneladas de carne suína fora do mercado.”Atualmente, existem 635 criadores paulistas em escala comercial, segundo a APCS.

Além disso, as pequenas e médias empresas paulistas estão descapitalizadas e inadimplentes, portanto não têm capital para segurar uma nova crise. Segundo Ferreira, cerca de 100 granjas já encerraram as atividades no Estado de São Paulo.

A redução do plantel, segundo Ferreira, deverá ser sentida pelo mercado apenas no segundo semestre, quando o milho atinge o maior valor em conseqüência da entressafra.

“A crise do setor ocorrida no ano passado foi considerada a pior da história da suinocultura brasileira”, afirma Ferreira.

Segundo ele, se o governo brasileiro não tomar uma atitude em relação aos estoques reguladores e evitar que o milho seja exportado, como ocorreu em 2002, quando 2,7 milhões de toneladas do insumo foram vendidas ao mercado externo, toda a cadeia irá quebrar.

A safra de milho já está começando e sua cotação continua em alta, ou seja R$ 27 a saca de 60 quilos, quando deveria estar entre R$ 20 e R$ 23 por saca.

Para Ferreira, o ideal para o mercado seria: o preço pago por um quilo de suíno para 7,5 quilos de milho. Porém, atualmente, um quilo de suíno equivale a 3,8 quilos do grão.

Enquanto o governo não resolve o que fará para amenizar o problema – estoques reguladores e preço mínimo -, segundo Ferreira seria necessário a liberação de linhas de crédito para os criadores de suínos estocarem milho antes da entressafra, como garantia de preço.

Desemprego

Outro problema apontado por Valdomiro Ferreira é o desemprego no campo.

O Brasil possui um plantel com 2,4 milhões de matrizes de suínos, a cada 30 matrizes alojadas um emprego é gerado, segundo Valdomiro Ferreira.

“Se a crise continuar, o desemprego no campo causará uma migração para as grandes cidades, piorando o problema de falta de trabalho nos centros urbanos.”