Guia Gessulli
07-Mar-2019 15:04
Tecnologia

Gigantes chinesas de tecnologia estão mapeando porcos

Empresas usam reconhecimento facial e de voz para ajudar país, maior criador e consumidor de carne suína do mundo, a superar PSA

Um banco de dados com a cara de todos os porcos chineses. Varreduras de voz detectam porcos com tosse. Robôs que fornecem apenas a quantidade necessária de ração para os suínos. Esta pode ser a fazenda de porcos do futuro na China. Pode soar esquisito, mas hoje, as gigantes chinesas de tecnologia estão usando reconhecimento de voz e de faces, bem como outras tecnologias avançadas, para proteger os porcos do país.

Neste ano do Porco no horóscopo chinês, muitos porcos estão morrendo no país devido a Peste Suína Africana (PSA). É algo que afeta diretamente a oferta de carne suína do país, um prato básico das famílias chinesas. Então, empresas como Alibaba e JD.com estão aplicando nos suínos as mesmas técnicas que usaram para transformar a vida local – e, obscuramente, que o governo do país usa para espionar seu próprio povo. O objetivo aqui, porém, é garantir que os porcos estejam plenamente saudáveis.

“Se eles não estão felizes nem comem bem, há casos em que se pode prever se o porco está doente”, disse Jackson He, diretor executivo da Yingzi Technology, uma pequena empresa com sede na cidade de Guangzhou, sul do país, que introduziu a visão de uma “fazenda de porcos do futuro” com tecnologias de reconhecimento facial e de voz.

PSA -  A doença não tem vacina ou cura conhecida. Pode espalhar-se através do contato entre animais ou através de produtos de porco infectados, o que significa que pode ficar à espreita durante meses em salsichas ou presuntos. Não afeta os seres humanos, mas eles podem carregá-lo. A China abateu quase 1 milhão de porcos, instalou barreiras e construiu cercas, sem sucesso.

Há muito em jogo. A China é o maior criador de suínos do mundo, com uma população atual de cerca de 400 milhões, e é o maior consumidor de carne suína. O produto é tão importante que o país tem sua própria reserva estratégica no caso de escassez. As empresas que apoiam a tecnologia dizem que podem ajudar os produtores a isolar portadores de doenças, reduzir o custo da ração, aumentar a fertilidade das porcas e reduzir as mortes não naturais.

O sistema da JD.com usa robôs para alimentar os suínos na quantidade exata de ração, dependendo do estágio de crescimento dos animais. A SmartAHC, uma empresa que usa inteligência artificial para monitorar estatísticas vitais de porcos e oferece serviços disponíveis comercialmente, conecta porcas com monitores portáteis que podem prever a época de ovulação.

The New York Times
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