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Gigantes estão mudando estratégia? - por Coriolano Xavier

Coriolano Xavier

Membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

28-Jul-2016 15:25 - Atualizado em 28/07/2016 15:41

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Coriolano Xavier é vice-presidente de comunicação do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM

Grandes empresas internacionais do agronegócio parecem estar dando passos no sentido de se descomoditizar suas linhas de produtos. Como a centenária Cargill, que construiu seu gigantismo comercializando grãos, oleaginosas e açúcar, entre outras commodities, e hoje opera também uma fábrica de xarope de milho livre de transgênicos, segmentação que já responde por 10% do total de sua produção de xarope de milho.¹

Ou então como a Bunge, outra gigante das commodities, cujas linhas descomoditizadas representaram 15% do lucro em 2015 e a empresa planeja chegar a 35% com operações de valor agregado.  Ou ainda a ADM, também tradicional no mercado de commodities, que não faz muito tempo desembolsou 2,3 bilhões de euros para comprar a Wild Flavors, empresa de alimentos especiais e bebidas “flavorizadas”.

Uma pitada do tempero dessas mudanças estratégicas nos negócios pode estar associada a eventuais tendências de queda de lucratividade, projetadas para a comercialização de commodities. Mas o atrativo forte estaria, na verdade, na contrapartida das maiores margens de lucro dos produtos segmentados e especializados, já que em tese a nova orientação fragmenta estruturas produtivas, altera paradigmas de economia de escala e aumenta custos.

Enfim, parece que a razão de segmentações no portfólio de oferta das grandes empresas de commodities revela que descomoditizar o negócio tornou-se algo bem interessante – até mesmo para esses gigantes do agronegócio mundial.  E o impulso do ajuste, em última instância, parece vir do eterno “rei consumidor” e sua crescente demanda por alimentos produzidos de acordo com novos padrões sociais, ambientais e nutricionais.

Para o agronegócio brasileiro, protagonista no mercado internacional de commodities, essas aberturas de novos focos segmentados de negócios, pelos principais players desse mercado, é um sinal que não deve ser desprezado. No mínimo é um insumo importante na discussão sobre os movimentos estratégicos do nosso agronegócio, nos próximos cinco a 10 anos.

Na dúvida sobre a evolução desses gigantes internacionais, fico com declaração recente do diretor de finanças da Cargill, mundial, Marcel Smits. Segundo comentou, a descomoditização das cadeias mundiais de abastecimento agrícola é uma tendência que não vai mudar -- “e isso é realmente uma boa notícia para nossos negócios”¹.

Nessa perspectiva, para quem está conectado ao mercado nacional ou internacional de commodities, e pratica planejamento estratégico, a prudência recomenda ficar de olho na evolução desse cenário. Há novas cartas na mesa e isso pode pedir um alinhamento do nosso agronegócio, para extrair dessas mudanças do mercado novas oportunidades.

* Valor Econômico, 27/05/2016, “Empresas”, conf. “Farm to Market”.

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