Guia Gessulli
Peste Suína Africana AveSui Inside Cooperativas Agroindústrias Bem - Estar Animal América Latina Comentário Suíno Economia Empresas Exportação Eventos e Cursos Genética Geral Insumos Manejo Meio Ambiente Mercado Externo Mercado Interno Nutrição Piscicultura Pesquisa e Desenvolvimento Processamento de Carne Sanidade Sustentabilidade Saúde Animal Tecnologia Revista Todos os Vídeos TV Gessulli no YouTube Edições Revista Digital Anuncie
Comentário

Impacto e lições da epidemia de peste suína na China

No longo prazo, o Brasil tende a ganhar, mas é preciso mais estratégia e coordenação.

Marcos S. Jank

Especialista em questões globais do agronegócio. Escreve aos sábados, a cada duas semanas.

13-Mai-2019 07:44

A China, país que produz e consome mais da metade da carne suína mundial, vem sendo devastada por uma grave epidemia de peste suína africana. A situação é calamitosa:

1. Estima-se perda de 134 milhões de cabeças —sobre um total de 684 milhões—, gerando uma queda da ordem de 20% na produção de carne suína, que pode chegar a 35% se o pior cenário desenhado pelo Rabobank se concretizar. O problema se agrava com o grande trânsito de animais dentro da China e com o Sudeste Asiático, além do fato de um quinto da produção doméstica vir da pequena produção de “fundo de quintal”, com alta exposição ao vírus e controle sanitário precário.

2. Para o Brasil, o principal impacto negativo da peste suína se dará sobre as exportações de soja, produto que lidera a pauta exportadora brasileira e componente essencial da ração de suínos e aves em propriedades tecnificadas. Estima-se uma queda de 5 milhões a 10 milhões de toneladas no nosso volume previsto de exportações para a China em 2019/20 (cerca de 10% da previsão inicial), um cenário que pode se agravar no ano que vem, ainda que terceiros países (Europa, principalmente) terão de comprar mais do Brasil para poder ampliar as suas exportações de carnes para a China.

3. Vencida a crise, no longo prazo teremos ganhos importantes com a inevitável mudança do modelo de produção de carnes da China: maior controle sanitário, escala e profissionalização dos produtores com melhoria da genética, manejo e nutrição dos animais, o que favorecerá um maior consumo de farelo de soja.

4. Há também a possibilidade de a China se abrir mais para a importação de carnes, que hoje respondem por menos de 5% do seu consumo. Mas esse segmento não crescerá de forma automática, como alguns querem crer. Ocorre que, ao contrário de commodities agrícolas como soja, algodão e celulose —para as quais o mercado encontra-se totalmente aberto para Brasil—, nas proteínas animais o acesso se dá por meio de um processo moroso e pouco transparente de habilitação de plantas industriais, caso a caso. Apenas 62 unidades brasileiras estão hoje autorizadas a exportar para a China, um número extremamente reduzido, sendo que só três estão autorizadas a exportar carne suína. No curto prazo, quem realmente ganhará mercado são frango e carne bovina, substitutos do suíno.

5. Atualmente, a China consome 84 kg de carnes por habitante/ano. A atual exportação de carnes do Brasil para China e Hong Kong equivale ao volume de 1 kg per capita/ano na China (1,4 milhão de toneladas). Ou seja, com só mais 1 kg/hab/ano, já estaríamos dobrando a exportação.

6. Uma última questão relevante é status sanitário brasileiro. Até aqui o Brasil escapou ileso das duas principais epidemias do mundo atual: gripe aviária e peste suína. Além da necessidade de reforçar todos os controles de defesa sanitária do país, o Brasil deveria pleitear a ampla aceitação de dois instrumentos fundamentais para garantir o acesso aos mercados, mesmo que parcial.

O primeiro é a “regionalização sanitária”, que comporta, por exemplo, o nosso status de área livre de febre aftosa com vacinação. O segundo é a “compartimentalização sanitária”, que é o reconhecimento de sistemas integrados livres de doenças graças à adoção de práticas mais elevadas de biossegurança e rastreabilidade. O Brasil já possui “compartimentos” em que o controle da gripe aviária é extremamente elevado, que hoje servem de exemplo para o mundo.

Todos os pontos aqui apresentados estão ligados a “lições de casa” que precisam ser feitas neste momento: visão estratégica, melhor coordenação do setor privado, medidas suplementares de defesa sanitária e negociação qualificada com nossos parceiros no exterior.

Assuntos do Momento

11 de Maio de 2021
Mercado

Produção de suínos na China deve crescer 19% em 2021

Segundo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA), a expansão agressiva da capacidade de fazendas de grande escala em 2020 gerou um aumento estimado no abate de suínos para a China

Novos recursos na economia beneficiam o consumo de suínos
10 de Maio de 2021
Economia

Novos recursos na economia beneficiam o consumo de suínos

No momento, restam ainda mais de R$ 9 bilhões em recursos para serem contratados no Plano Safra 2020/2021

China: Importação de carnes aumenta 6,9% em abril e fica perto de recorde
07 de Maio de 2021
Mercado Externo

China: Importação de carnes aumenta 6,9% em abril e fica perto de recorde

A produção de carne suína da China despencou após os surtos de peste suína africana desde 2018, estimulando uma forte demanda por importação de carne suína e outras proteínas

Análise de Mercado - Frango em alta e preço do suíno cai em três estados
10 de Maio de 2021
Mercado

Análise de Mercado - Frango em alta e preço do suíno cai em três estados

Entre os dias 03 e 07 de maio, o preço do frango vivo eleva sua cotação, com exceção de MG que mantém o valor estável. Suíno vivo teve queda de 1,11% em SC, 2,54% no PR e 2,12% no RS

Disponible en español Disponible en español
Na Colômbia carne de porco começa a faltar nos lares
11 de Maio de 2021
América Latina

Na Colômbia carne de porco começa a faltar nos lares

A produção diária na Colômbia é de 1.300 toneladas de carne suína e devido aos efeitos da greve nacional, 720 toneladas / dia deixaram de ser produzidas e comercializadas

Preços do suíno vivo e da carne se enfraquecem, aponta Cepea
13 de Maio de 2021
Mercado

Preços do suíno vivo e da carne se enfraquecem, aponta Cepea

Segundo estudos, a venda de carne no mercado doméstico está enfraquecida

Mais assuntos do momento
Utilizamos cookies para que você tenha a melhor experiência de navegação, para medir o tráfego, e para fins de marketing. Para mais informações, por favor visite nossa política de privacidade. Política de Privacidade