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Macrologística na Produção Animal no Brasil - Por Alexandre Barbosa de Brito

Alexandre Brito

Alexandre Brito é médico veterinário, doutor em nutrição animal

06-Abr-2018 13:21 - Atualizado em 06/04/2018 14:32

Nestas colunas mensais, procuro sempre trazer informações importantes na área de nutrição animal para o setor. Porém, vou fazer uma pausa nesta linha de pesquisa para compartilhar com todos uma ferramenta desenvolvida pela Embrapa e disponibilizada para consulta popular este mês.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária foi criada em 26 de abril de 1973 e é vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Desde sua criação, sua equipe assumiu um desafio: desenvolver um modelo de agricultura e pecuária tropical genuinamente brasileiro, superando as barreiras que limitavam a produção de alimentos, fibras e energia no nosso país.

No Brasil, sempre falamos sobre como somos carentes de informações relevantes e de estatística nos mais variados setores. Geralmente adotamos adaptações de estatísticas americanas para sustentar nossos argumentos, como foi o caso de minha primeira coluna publicada pela equipe da Gessulli. Mas frequentemente em nosso setor, somos presenteados com um sistema de reporte de dados que possuem grande importância para olhos bem treinados. Este é o caso da ferramenta de Macrologística da Embrapa Territorial.

O Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária Brasileira reúne, em base georreferenciada, dados sobre a produção agropecuária, armazenagem e os caminhos da safra no mercado interno e externo. Esta coletânea de dados permite gerar diversos estudos e extrair informações assertivas para o planejamento estratégico do governo e do setor produtivo. Por exemplo: Como 1,6 bilhão de toneladas de insumos, produtos e coprodutos da agropecuária brasileira são movimentados no país? Como essa movimentação pode ser mais eficiente no cenário atual, face às mudanças do agronegócio nos próximos anos? Os próximos dados aqui apresentados, refletem uma experiência pessoal na operação desta ferramenta, sob olhos de um produtor animal e de um nutricionista.

Vamos iniciar este estudo falando sobre os caminhos da safra pelo Brasil. Encontra-se apresentado na Figura 01 a produção média de soja e milho. De acordo com a plataforma, em 2016, último ano liberado para consulta, a soja estava presente em 279 microrregiões (50% do total de microrregiões de nosso país) e em 19 estados da federação. Neste ano a produção foi de 96.296.714 toneladas deste cereal.

Já para o milho, a produção foi de 64.143.414 toneladas, porém com uma distribuição muito maior que a soja, com presença em 535 microrregiões (95,88% do total) e em todos os 27 estados. Fica claro que mesmo representando 67% da produção de soja, o milho possui uma concentração menor, com forte presença na região norte, onde a soja é presente apenas no Tocantins e parte do Pará, Roraima e Rondônia.

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Figura 01. Cartografia das microrregiões de produção de soja (a) e milho (b) em 2016.Embrapa (2018)

Outro dado importante sobre a Figura 01 refere-se à concentração da produção destes dois cereais tão importantes no centro oeste do Brasil, os três estados desta região concentram as quatro microrregiões mais importantes na produção de ambos os cereais.

Agora se faz necessário realizar uma associação destes dados com a produção de aves e suínos de 2016 (Figura 02). De acordo com a Embrapa, neste ano foram produzidos 39.950.320 suínos, em 554 microrregiões (99,28% do território brasileiro), em todos os 27 estados. Já para aves, a produção foi de 1.352.291.029 animais em praticamente 100% das microrregiões do país. Porém, o que mais importa destes números refere-se à concentração desta produção. Embora exista uma sobreposição de microrregiões produtoras de grãos e carnes no sul de Goiás e no centro de Mato Grosso, a região Sul é a que concentra grande parte do volume de produção destes animais. Este fato obriga um transporte constante de grãos, o que onera seu custo colocando uma atenção especial no preço da energia, macro-minerais e de proteína nos custos de formulação, além de fundamentar estratégias nutricionais para reduzir estes impactos nestes grandes centros.

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Figura 02. Cartografia das microrregiões de produção carnes em 2016, sendo: suínos (a), aves (b) e bovinos (c)Embrapa (2018)

Este fato fica claro quando comparamos a distribuição da produção de bovinos (Figura 02), demonstrando uma característica muito diferente que a produção de monogástricos, por possuir uma distribuição mais igualitária entre as microrregiões.

De acordo com os autores, a compreensão dos fluxos de insumos e dos destinos da produção na cadeia de grãos e de seus subprodutos é fundamental para planejar obras e intervenções na macrologística que ampliem a competitividade da agropecuária brasileira. Essas obras e intervenções raramente são de alcance nacional e devem ser planejadas no âmbito das bacias logísticas pertinentes. Por exemplo, dos 15 principais portos de exportação brasileiro, seis possuem como corredor logístico apenas rodovias, e apenas sete possuem plataformas multimodais para o escoamento da produção (Figura 03).

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Figura 03. Matriz de transporte brasileira para escoamento da produção agropecuária visando o processo de exportaçãoEmbrapa (2018)

Outra oportunidade que temos frente a este conjunto de dados é de realizar avaliações sobre como se comportou a evolução da produção agropecuária em um período pré-estabelecido. Na Figura 04, encontra-se apresentado o volume de aves produzidos por microrregiões brasileiras em 2000 e 2016. Nestes 16 anos, é possível observar como o volume de abate migou-se de São Paulo para o Paraná e o Centro-Oeste.

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Figura 04. Variação na produção de aves no Brasil em 2016 (a) e 2000 (b)Embrapa (2018)

De maneira geral, este estudo da Embrapa demonstra que temos desafios importantes de logística no Brasil, seja com custo no transporte de insumos (mais importante em centros de produção de carne próximos aos portos de exportação) ou no custo do transporte de carnes (mais importantes em centros de produção de carne próximos aos principais centros produtores de grãos). Ambos os cenários são importantes para uma atenção especial do nutricionista no desenvolvimento de estratégias que favoreçam o custo das dietas com o objetivo de melhorar a eficiência animal.

 

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