Peste Suína Africana AveSui Inside Cooperativas Agroindústrias Bem - Estar Animal América Latina Comentário Suíno Economia Empresas Exportação Eventos e Cursos Genética Geral Insumos Manejo Meio Ambiente Mercado Externo Mercado Interno Nutrição Piscicultura Pesquisa e Desenvolvimento Processamento de Carne Sanidade Sustentabilidade Saúde Animal Tecnologia Revista Todos os Vídeos TV Gessulli no YouTube Edições Revista Digital Anuncie
Comentário

Metano - de problema climático a oportunidade econômica

Por Maurício Antônio Lopes, pesquisador da Embrapa

Maurício Antônio Lopes

Pesquisador Embrapa

13-Dez-2021 09:30

Gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), sempre cumpriram funções importantes na atmosfera terrestre, retendo calor e evitando perda de radiação para o espaço, o que contribuiu para tornar a Terra habitável. Ao longo de milênios esses gases foram produzidos e decompostos em ritmo que mantinha o planeta moderadamente aquecido, equilíbrio que está sendo alterado pela ação humana, com graves consequências para o clima.

 

Até recentemente o grande vilão das mudanças climáticas era o CO2, pela quantidade emitida e longa persistência na atmosfera, de até 1000 anos. No entanto, o metano vem despontando como um agente igualmente perigoso de desestabilização do clima, devido à sua capacidade de aquecer a atmosfera cerca de 80 vezes mais rápido que o CO2. Apesar da sua permanência na atmosfera ser curta – se degradando em cerca de 10 anos, sua concentração alcançou o nível mais alto dos últimos 800.000 anos.

 

O metano tem múltiplas origens, desde as indústrias de gás natural, carvão e petróleo até os aterros sanitários, que concentram grande diversidade de materiais orgânicos em decomposição. Vegetação apodrecida em áreas pantanosas e cultivos como arroz inundado são também importantes fontes desse gás, assim como animais ruminantes - como bovinos, e insetos - como cupins, que ao digerirem material vegetal emitem metano.

 

Embora as crescentes emissões de metano representem grande risco para a humanidade, sua baixa persistência na atmosfera possibilita o combate dos seus efeitos em prazos curtos. Cortes significativos nas suas emissões poderão provocar redução do aquecimento em apenas uma década, a custos relativamente baixos. É por isso cerca de 100 países, incluindo o Brasil, anunciaram em novembro de 2021, durante a COP 26, em Glasgow, o “Compromisso Global de Metano” - uma meta coletiva de redução das emissões em 30%, a ser alcançada até 2030.

 

Tal acordo impõe reduções substanciais das emissões de fontes como aterros sanitários, sistemas de óleo e gás, mineração de carvão, processos industriais e agricultura, com destaque para a pecuária. Estima-se que cerca de um bilhão de bovinos são criados em todo o mundo para produção de carne e laticínios, que combinados a outras criações animais liberam cerca de 44% do metano originado de atividades antropogênicas (de causa humana) em todo o planeta. Números que destacam a pecuária no rol dos grandes emissores de gases de efeito estufa em todo o mundo.

 

A boa notícia é que o metano é um gás valioso, que pode ser captado e usado como combustível, reduzindo a nossa dependência de fontes fósseis. O gás natural, que consiste principalmente em metano, é um combustível fóssil considerado limpo. Quando o metano é produzido a partir dos aterros sanitários e dos abundantes resíduos animais e vegetais usualmente descartados na natureza, ele pode, como o gás natural, ser usado como fonte de energia para uso doméstico e transporte, ou como matéria-prima para múltiplos usos industriais.

 

Os humanos geram direta ou indiretamente mais de 105 bilhões de toneladas de resíduos orgânicos em todo o mundo a cada ano, grande parte acumulada em aterros sanitários. E tecnologias para captura de metano de aterros sanitários já são dominadas, podendo viabilizar parques eco industriais produtores de bens e serviços, créditos de carbono e boa imagem para governos e organizações envolvidos.  Ou o metano produzido pode ser simplesmente processado e vendido, substituindo o gás natural fóssil, ou usado para movimentar caminhões de coleta e processos de segregação, tratamento e agregação de valor ao lixo que chega aos aterros sanitários.

 

A produção agrícola global quase triplicou nos últimos 50 anos e é provável que duplique na primeira metade do século 21, gerando imensos volumes de resíduos orgânicos de alta emissão de gases. Atualmente, quase todo o resíduo agrícola produzido no mundo é manejado de forma incorreta, permitindo que o metano e outros gases de efeito estufa sejam liberados na atmosfera. Se manejados em digestores anaeróbicos, as emissões seriam minimizadas, com produção de biogás e biometano para uso energético e industrial, além de fertilizantes orgânicos que permitiriam retornar ao solo nutrientes valiosos e finitos.

Estima-se que o cumprimento das metas de mudança climática do Acordo de Paris exigirá crescimento dos mercados voluntários de carbono em 15 vezes até 2030 - e 100 vezes até 2050 - a partir dos níveis de 2020. E como o mercado é um mecanismo eficaz, as emissões de metano e outros gases de efeito estufa tenderão a ser reduzidas onde for mais barato e mais fácil fazê-lo, especialmente quando tivermos padrões e regras claros e preços globais consolidados para o carbono. Oportunidade que não pode ser ignorada pela agricultura brasileira.

A Embrapa já conta com unidades e portfólios de pesquisa e inovação inteiramente dedicados ao desenvolvimento de tecnologias de biomassa que contribuam não só para a descarbonização da agricultura, mas também das indústrias química, de energia e materiais. A adoção de práticas conservacionistas como o plantio direto, a fixação biológica do nitrogênio, a integração de lavouras, pecuária e florestas, dentre outras, abrem possibilidades para que o Brasil, que já colhe duas ou mais safras ao ano, venha no futuro a colher também safras de carbono, com ganhos nas dimensões econômica, ambiental e de imagem perante consumidores ávidos por sustentabilidade.

Assuntos do Momento

Colheita de soja na Argentina alcança 64,9% da área apta; de milho atinge 25,8%
13 de Maio de 2022
América Latina

Colheita de soja na Argentina alcança 64,9% da área apta; de milho atinge 25,8%

O rendimento médio nacional está em 3.010 quilos por hectare, e a estimativa de produção foi mantida em 42 milhões de toneladas. 

Com a chegada da frente fria, valor do milho sobe e deixa produtores em alerta no Brasil
16 de Maio de 2022
Insumos

Com a chegada da frente fria, valor do milho sobe e deixa produtores em alerta no Brasil

Os valores do milho voltaram a subir na semana passada, interrompendo, portanto, o movimento de queda diária consecutiva que vinha sendo verificado desde o encerramento de abril

Estimativa da Anec para exportação de soja em maio aumenta para 11,4 mi de toneladas e de milho para 1,2 mi de toneladas
18 de Maio de 2022
Insumos

Estimativa da Anec para exportação de soja em maio aumenta para 11,4 mi de toneladas e de milho para 1,2 mi de toneladas

A previsão é de que sejam enviados 11,483 milhões de toneladas de soja em grãos, ante as 10,615 milhões de toneladas projetadas na semana passada. 

Exportação da soja paraense cresce 124%; alimentação de suínos na China é principal destino
17 de Maio de 2022
Exportações

Exportação da soja paraense cresce 124%; alimentação de suínos na China é principal destino

Percentual de crescimento é um comparativo do período de janeiro abril de 2022 ao mesmo quadrimestre do ano passado

Valorização do dólar aumenta preço da soja no Brasil
16 de Maio de 2022
Insumos

Valorização do dólar aumenta preço da soja no Brasil

Segundo pesquisadores do Cepea, a valorização do dólar frente ao Real atraiu importadores para o Brasil, resultando em aumentos no prêmio de exportação e nos preços domésticos da soja

BRF lança projeto piloto para reaproveitamento de resíduos em filiais de grãos
12 de Maio de 2022
ESG

BRF lança projeto piloto para reaproveitamento de resíduos em filiais de grãos

Iniciativa está em sintonia com a agenda ESG da Companhia e com seu compromisso de gestão sustentável da cadeia

Mais assuntos do momento
Utilizamos cookies para que você tenha a melhor experiência de navegação, para medir o tráfego, e para fins de marketing. Para mais informações, por favor visite nossa política de privacidade. Política de Privacidade