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24-Out-2014 09:20 - Atualizado em 20/04/2016 14:54
Artigo

Perspectivas e reivindicações do agronegócio - por Antonio Alvarenga

Apesar dos flagrantes desacertos na condução de nossa política econômica nos últimos anos, o agronegócio brasileiro avançou e vem se destacando como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo, com papel fundamental na equação global de segurança alimentar.

À exceção do setor sucroalcooleiro, que vem sendo duramente penalizado pela equivocada política energética atual, o governo tem proporcionado à agropecuária, de forma geral, uma política de incentivos que pode ser considerada satisfatória.

Nos últimos dez anos, por exemplo, os recursos para o crédito rural foram ampliados em cerca de 120 %. Os agricultores, respondendo aos estímulos, fizeram grandes progressos. Enquanto a área plantada cresceu 18%, a produção de grãos aumentou 74 %, demonstrando significativo aumento da produtividade. Neste período, o saldo da balança comercial do agronegócio evoluiu extraordinários 400 %. São indicadores inquestionáveis.

No entanto, não é razoável supor que o setor possa manter uma evolução positiva, em bases sólidas, enquanto a economia do país vai se deteriorando.

É inevitável que o próximo governo promova os ajustes necessários para que a economia retome seu crescimento, os indicadores macroeconômicos mostrem-se mais saudáveis e aumentem a confiança dos investidores.

O Brasil possui uma das mais robustas e avançadas agriculturas do planeta, mas isso não significa que o homem do campo não tenha seus problemas e uma pauta de reivindicações específicas.

Além de suportar as consequências da titubeante política econômica, nosso produtor rural sofre com a caótica infraestrutura, a insegurança jurídica, a burocracia e a falta de um adequado sistema de seguro rural.

A questão indígena, as ameaças da legislação trabalhista e os encargos do novo Código Florestal são alguns dos problemas que mais afligem o produtor.

As deficiências nos sistemas de transporte, armazenagem e exportação oneram os custos e prejudicam a rentabilidade dos agricultores.

O seguro rural é uma importante reivindicação do setor. É incompreensível a falta de disposição do governo em apoiar e ampliar esse instrumento, que é de importância fundamental para garantir tranquilidade aos produtores.

Também necessitamos de um plano de safra plurianual, que permita o planejamento das operações dentro de um horizonte de médio e longo prazo. E que seja promovida uma desburocratização geral no sistema de concessão de crédito.

Nosso combalido Ministério da Agricultura precisa ser fortalecido e atuar como coordenador das ações governamentais para o setor.

No âmbito internacional, devemos perseguir o estabelecimento de acordos comerciais internacionais bilaterais, regionais e multilaterais, que reduzam tanto as barreiras tarifárias como as não tarifárias.

Também em relação ao mercado internacional, devemos adotar medidas que promovam maior competitividade do setor, visando a ampliar o acesso dos produtos brasileiros nos principais mercados consumidores, sobretudo aqueles com maior valor agregado.

É necessário investir mais e melhor em educação, conhecimento científico e qualificação profissional do homem do campo. Essas são alavancas indispensáveis para o desenvolvimento de qualquer setor econômico.

As perspectivas para o agronegócio brasileiro são excepcionais. As oportunidades são claras e devemos aproveitá-las. Somos uma nação que precisa crescer, proporcionar emprego e boas condições de vida aos brasileiros. O mundo tem fome. Vamos produzir alimentos e abastecer uma população mundial em crescimento.

Publicação Exclusiva AI/SI/BB

Antonio Alvarenga

Presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

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