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ICAGRO

Piora no crédito e na economia diminuem o otimismo do agronegócio

Embora tenha sofrido queda de 1,2 ponto, índice permanece em patamar moderadamente otimista, acima de 100 pontos

Redação com informações Fiesp
02-Ago-2022 13:38

O Índice de Confiança do Agronegócio (ICAGRO) fechou o segundo trimestre de 2022 em 110,3 pontos, queda de 1,2 ponto em relação ao levantamento anterior. O aumento da preocupação com a economia pesou no resultado. As entrevistas foram realizadas num momento em que se consolidaram as perspectivas de uma desaceleração econômica, puxada pela alta dos juros para combater a inflação -- o que no caso brasileiro levou a uma elevação do risco e a uma queda nas projeções de crescimento para 2023. Num aspecto mais diretamente relacionado ao agronegócio, e especialmente no caso dos produtores rurais, a confiança do setor foi prejudicada pelo pessimismo relacionado ao crédito rural.

Apesar da queda, o índice permanece num patamar moderadamente otimista, acima de 100 pontos -- abaixo disso, o nível de confiança passa a ser considerado pessimista, de acordo com a metodologia do estudo.
 

Índice de Confiança das Indústrias (Antes e Depois da Porteira): 113,1 pontos, queda de 1,4 ponto.

O nível de confiança das indústrias inseridas nas cadeias produtivas agropecuárias oscilou em direções diferentes -- para cima no caso das empresas do pré-porteira (fabricantes de insumos) e para baixo dentre as do pós-porteira (como as de logística e de alimentos).

Indústria Antes da Porteira (Insumos Agropecuários): 109,8 pontos, alta de 2,1 pontos.

As empresas de insumos agropecuários fecharam o segundo trimestre de 2022 com um aumento de confiança em relação ao levantamento anterior. De acordo com Roberto Betancourt, diretor titular do Departamento de Agronegócio da Fiesp, um dos motivos foi o alívio na oferta de insumos no mercado brasileiro.

“No primeiro trimestre, havia uma preocupação de que pudessem faltar fertilizantes, principalmente após o início da guerra na Ucrânia e à imposição e sanções econômicas à Rússia, além de receios em relação aos defensivos, que enfrentavam a desorganização das cadeias produtivas em importantes países produtores, como a China”, lembra o empresário.

Apesar desse cenário adverso, a preocupação diminuiu. Segundo Betancourt, o Brasil importou volumes recordes de adubos no primeiro semestre, e o suprimento de defensivos vem sendo gradualmente normalizado.

“Além disso”, acrescenta o especialista, “em geral os preços internacionais dos insumos caíram no trimestre e, embora permaneçam em patamares altos, as relações de troca já não são tão ruins quanto no primeiro trimestre -- e boa parte das negociações para a safra de verão 22/23 já foi concluída”.

Indústria Depois da Porteira: 114,5 pontos, queda de 2,9 pontos.

Dentre todos os segmentos avaliados pelo estudo, o das empresas situadas Depois da Porteira mantém o nível mais alto de otimismo -- mas a confiança vem caindo devido à piora das expectativas. Um dos fatores que ajudam a explicar esse sentimento é o preço da energia em patamares elevados, aumentando os custos de produção. Ao mesmo tempo, o cenário de inflação e juros em alta ameaçam os indicadores de consumo, o que é preocupante em setores como o de alimentos.
 

Índice do Produtor Agropecuário: 106,3 pontos, queda de 0,8 ponto.

A piora na avaliação sobre as condições do negócio contribuiu para que o Índice de Confiança do Produtor Agropecuário fechasse em 106,3 pontos, queda de 0,8 ponto sobre o trimestre anterior. O aumento do pessimismo em relação ao crédito foi marcante tanto entre pecuaristas quanto entre os agricultores. No primeiro semestre, a liberação de recursos para custeio caiu 17% em relação ao mesmo período do ano passado -- um aperto significativo, ainda mais quando se considera a alta dos custos de produção.
 

Índice do Produtor Agrícola: 107,2 pontos, queda de 1,9 ponto.

O otimismo dos agricultores vem caindo de forma constante e gradual desde o terceiro trimestre de 2020, quando atingiu 133,4 pontos, o valor máximo da série histórica. Ainda assim, o índice de confiança desse segmento se mantém moderadamente otimista, em 107,2 pontos, 1,9 ponto abaixo do levantamento anterior.

Para Betancourt, além da má avaliação do crédito, os altos custos de produção continuaram pesando negativamente sobre o pessimismo desse segmento.

“Houve ainda uma redução no otimismo em relação aos preços dos produtos agrícolas, em queda ao longo do trimestre, embora se mantenham em patamares elevados”, aponta Betancourt. Foi o caso do milho, que de março para junho saiu da faixa 100 a 105 reais para algo entre 80 e 85 reais por saca, segundo o indicador Cepea/Esalq. Outro exemplo é o do algodão, que de maio para junho caiu de aproximadamente 270 reais para menos de 210 reais por arroba.
 

Índice do Produtor Pecuário: 103,8 pontos, alta de 2,4 pontos.

O Índice de Confiança do Produtor Pecuário subiu do primeiro para o segundo trimestre: 103,8 pontos, alta de 2,4 pontos. Parte do resultado positivo pode ser atribuído ao momento do mercado externo. Os embarques de carne bovina, por exemplo, bateram recordes no primeiro semestre, com bons resultados tanto em volume quanto em receitas. Outro fator a considerar é que a avaliação dos custos de produção, embora continue pessimista, melhorou um pouco nos últimos meses, graças aos recentes recuos dos preços dos fertilizantes (especialmente no caso da ureia) e dos grãos, com impacto positivo sobre as rações.

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