Vale
10-Jan-2018 16:19
Entrevista

Presidente da Ocesc se mostra otimista com mercado em 2018

Em entrevista o presidente da OCESC faz uma análise do mercado em 2017 e ainda traz sua perspectiva para este ano

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Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de SC (OCESC) Luiz Vicente Suzin
Um ano de retomada do crescimento, ampliação do mercado de trabalho, reinicio dos investimentos e de aumento do nível geral de confiança no mercado. Essa é a previsão do presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) Luiz Vicente Suzin para este ano de 2018.

Qual sua expectativa para este ano?

Certamente será um ano de desafios, mas, os cooperativistas – e entre eles os produtores e empresários rurais – enfrentarão com determinação, fé no trabalho e visão de futuro. Estamos otimistas. No plano interno, teremos uma boa safra e não deve faltar matéria-prima para a agroindústria. Não haverá aquela escassez acentuada de milho no mercado interno como ocorreu em 2016. Os preços dos grãos devem reagir e o ano será bom para os produtores rurais e, por extensão, para toda a economia brasileira. No plano externo, acreditamos na ampliação das exportações do agronegócio brasileiro. Em resumo, esperamos clima favorável, plano-safra coerente, bons preços e aumento das exportações.

É possível dimensionar o crescimento deste ano?

Sim. O ramo agropecuário do cooperativismo, que representa mais de 80% do movimento econômico de todas as cooperativas catarinenses, deve crescer cerca de 5% em sua receita operacional bruta total.

O que o cooperativismo, a agricultura e o agronegócio esperam das eleições de 2018?

Ano eleitoral pode ser uma oportunidade para se discutir o atual estágio da agricultura e do agronegócio brasileiro e realçar as prioridades para o setor, de modo que façam parte do programa de governo dos candidatos. Com certeza a agricultura estará na pauta da campanha eleitoral porque a sociedade brasileira reconhece, hoje, a importância do setor primário como a locomotiva da economia nacional, especialmente nesses tempos de crise.

A partir deste ano as cooperativas de crédito poderão operar  com recursos dos municípios.

Essa matéria foi aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado. É uma inovação que facilitará a vida das Administrações dos Municípios brasileiros que não contam com Bancos oficiais. As Cooperativas de Crédito atuam em todos os municípios, prestando serviços aos correntistas, às empresas e, agora, ao Poder Público municipal. Com certeza, milhares de brasileiros serão beneficiados.

O sistema de crédito rural continua essencial para o setor primário, especialmente agora, com a taxa Selic em seu menor nível?

Essa será uma das reivindicações das entidades de defesa e representação do setor primário da economia brasileira. Com a redução da Selic para 7%, os juros e demais encargos cobrados nas operações de crédito agrícola tornaram-se relativamente elevados. É preciso rever isso. A estabilização da inflação, associada à lenta retomada do crescimento econômico e à estabilização do câmbio, permitiu à autoridade monetária reduzir o nível da taxa básica da economia (Selic). Evidente que isso deve contribuir para a redução das taxas de juros aplicadas sobre o crédito rural no próximo Plano Agrícola e Pecuário.

O ano de 2017 foi particularmente intenso para a Ocesc?

Em 2017, a Ocesc completou 46 anos de história. Fundada em 28 de agosto de 1971, ao longo desse período tornou-se uma das mais atuantes entidades do setor, coordenando ações que são referência em todo o País. Por outro lado, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo em Santa Catarina (Sescoop/SC) completou 18 anos e promoveu intensa qualificação profissional, envolvendo dirigentes, conselheiros, colaboradores e cooperados, incluindo seminários para assessores jurídicos, assessores de comunicação, secretárias e gestores. O Sescoop/SC fomentou e financiou, durante o ano, a formação e capacitação profissional, promoção social, monitoramento e desenvolvimento de cooperativas, ações centralizadas, ações delegadas, auxílio educação, programa Cooperjovem, programa Jovens Lideranças Cooperativistas (JovemCoop), Mulheres Cooperativistas, jovem aprendiz, auxílio-educação, programa de Desenvolvimento da Gestão de Cooperativas (PDGC), formação para conselheiros administrativos e fiscais para cooperativas de crédito (FORMACRED), monitoramento e auditoria em pequenas cooperativas.

As mulheres estão tendo uma participação cada vez mais intensa nas cooperativas?

Embora seja um ambiente majoritariamente masculino, as mulheres estão conquistando espaço, voz, voto e cargos de comando. Entre os 2,1 milhões de associados, cerca de 800 mil são mulheres. A verdade é que as cooperativas estão, realmente, abrindo espaços para elas. Em Santa Catarina e no Brasil as mulheres já estão presidindo cooperativas e conduzindo-as ao caminho do desenvolvimento com a tranqüilidade de quem sabe que o sucesso advém da perseverança, da competência, do trabalho, da capacidade de aprender e da habilidade de adaptar-se às mudanças. Estou convencido de que a conquista de espaço nas organizações cooperativistas representa evolução da qualidade de vida social para as mulheres. O reconhecimento social é muito forte e com ele robustece-se a autoestima. E isso tudo é justo e necessário. No plano social, comprova-se, hodiernamente, que a mulher agregou qualidade e dinamismo às instituições as quais passou a participar.

Qual a contribuição do cooperativismo catarinense para que SC superasse a crise econômica brasileira?

Sem dúvidas. O cooperativismo catarinense tem crescido acima da média, especialmente com relação ao aumento das operações e à expansão do número de associados. O cooperativismo catarinense está estruturado no campo e na cidade. Cresceu 15% no ano passado. As cooperativas ignoraram a recessão de 2015 e 2016 e continuaram crescendo, com foco no mercado e aperfeiçoamento constante da gestão. As 265 cooperativas catarinenses reúnem mais de 2 milhões de associados, mantêm 58 mil empregos diretos e faturam mais de R$ 31,5 bilhões de reais por ano.

Mais da metade dos catarinenses está ligada ao cooperativismo. Com chegamos a essa privilegiada condição?

As pessoas estão compreendendo que o cooperativismo é um caminho para trabalho com dignidade e renda proporcional ao seu esforço. Isso se deve a ação das cooperativas em todos os municípios catarinenses e ao esforço de comunicação social que temos feito nos últimos anos através da Ocesc, do Sescoop e das próprias cooperativas.

Ascom
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