Fonte CEPEA

Carregando cotações...

Ver cotações

Produtores de farinha animal criam selo e sindicato

A oficialização será realizada hoje (16), durante workshop em Concórdia (SC).

Da Redação 16/04/2002 – As fabricantes brasileiras de farinhas animais tomaram um susto com o surgimento do mal da vaca louca, na Europa, e com a cobrança, feita justamente pelos países da União Européia, de rígido controle da qualidade do produto brasileiro exportado, destinado à alimentação dos rebanhos europeus. Apesar de pouco conhecido – e sob suspeita desde o surgimento do mal da vaca louca – o setor de farinhas animais é importante no País. Segundo cálculos de Cláudio Bellaver, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, as companhias instaladas no Brasil fabricam dois milhões de toneladas e movimentam R$ 2 bilhões por ano.

Além disso, como substitui a soja, o produto animal permite reduzir as despesas com ração de aves e suínos em pelo menos 5%. “Não bastasse isso, a industrialização dos restos dos animais evita um grande problema ambiental. Se não virassem farinha, onde seriam colocados os rejeitos dos frigoríficos?”, questiona Bellaver. No ano passado, aproximadamente 8 milhões de toneladas de material seguiram para as fábricas de farinha animal.

Como conseqüência dessas cobranças dos importadores e da importância das vendas externas à balança comercial nacional, os produtores brasileiros lançam amanhã, em Santa Catarina, o primeiro sindicato nacional de produtores de farinhas animais. O evento vai ocorrer no 1 Workshop sobre Proteínas de Origem Animal na Alimentação. “Com a estrutura do sindicato, vamos criar um selo de qualidade e contratar fiscais que serão encarregados de visitar as empresas para avaliar se os processos produtivos estão dentro dos padrões que vamos estabelecer”, diz o sócio da Ossotuba Indústria e Comércio, de Tubarão, Antônio Cordeiro.

Cordeiro será um dos participantes do evento que ocorre em Concórdia. A intenção dos participantes do encontro é criar parâmetros de qualidade para evitar que a farinha animal cause problemas – de sanidade ou de mercado – ao rebanho. Na Europa, as farinhas foram apontadas como as vilãs do mal da vaca louca. Desde então, aumenta a pressão para que países que não controlem a produção do alimento sejam impedidos de exportar carnes para o continente europeu.