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29-Abr-2014 08:47 - Atualizado em 20/04/2016 14:53
Comentário

Qualificação no agronegócio - por Antonio Alvarenga

O mercado de trabalho do agronegócio deverá passar por profunda transformação nos próximos anos.

A administração das empresas do setor está cada vez mais sofisticada e demandará profissionais mais qualificados. Um aparente pequeno ganho na produtividade ou no valor de venda do produto, poderá significar uma considerável elevação em sua lucratividade. 

De forma geral, há dois grupos de profissionais que trabalham nas empresas do agro: o pessoal da área técnica, formado por agrônomos, veterinários, zootecnistas, engenheiros agrícolas, florestais etc., e os profissionais que atuam na gestão. São administradores, economistas, advogados, contadores, entre outros.

Na área técnica, os mais demandados nos próximos anos deverão ser aqueles que têm relação com a criação de animais e com o plantio e exploração de florestas. 

Como se sabe, a produtividade da agricultura brasileira já alcançou níveis bastante elevados. Os ganhos daqui para frente serão menores, fruto de muita pesquisa e, provavelmente, elevados investimentos.

Na pecuária, no entanto, ainda há enormes possibilidades de melhorias e ganhos decorrentes da adoção de modernas técnicas de criação intensiva. Precisamos produzir mais carne em menor espaço. Dessa forma, além de melhorar a produtividade, conseguiremos liberar áreas que estão sendo utilizadas com pastagens extensivas para a produção de grãos. 

Esse processo de modernização de nossa pecuária extensiva ensejará a necessidade de muitos profissionais especializados na área animal, notadamente veterinários e zootecnistas, capazes de planejar e executar sistemas de confinamento, rotação de pastagens, alimentação e sanidade animal, melhoria de rebanhos, dentre outros importantes aspectos da criação intensiva de animais.

Também são promissoras as profissões relacionadas à plantação e exploração de florestas - segmento que deverá ter crescimento acentuado nos próximos anos. Afinal, o Brasil tem vocação natural e um enorme potencial para a produção de madeira, celulose, borracha e outros produtos florestais.

O maior desafio, e consequentemente as maiores oportunidades, estão nas áreas de gestão das empresas do setor, que apresentam, de forma geral, índices de rentabilidade muito reduzidos.

O mercado do agronegócio tornou-se mais sofisticado. Há operações financeiras de diversos tipos. As flutuações dos mercados de commodities precisam ser cuidadosamente avaliadas, assim como há necessidade de acompanhar as projeções.

A logística da produção, dos estoques, da comercialização e do transporte são fatores decisivos na lucratividade das empresas do agro.  A racionalização e o controle dos custos e da rentabilidade são essenciais. 

Há também questões jurídicas complexas relacionadas a contratos e propriedade intelectual. Isso sem falar na necessidade de cumprir diversos dispositivos legais, que se alteram e multiplicam freneticamente, nas esferas fundiária, ambiental e econômica. 

Em resumo, os empreendimentos do agronegócio deverão adotar, cada vez mais, melhores práticas de gestão para conquistar maior rentabilidade. Dessa forma, os profissionais relacionados à gestão, informática, finanças, contabilidade e direito serão cada vez mais requisitados.

A chave do sucesso é a capacitação. É preciso manter-se atualizado com as inovações tecnológicas, com as melhores práticas de gestão e permanecer “antenado” com os mercados.

Publicação Exclusiva: Avicultura e Suinocultura Industrial

Antonio Alvarenga

Presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

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