Guia Gessulli
22-Set-2016 09:23 - Atualizado em 23/09/2016 14:28
Seminário Agroceres PIC

"Sanidade é hoje um dos maiores riscos da atividade suinícola", diz especialista

Para Daniel Linhares, pesquisador da Iowa State University sanidade é um dos maiores riscos da atividade suinícola atualmente

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12º Seminário Daniel Linhares abordou o assunto durante o 12º Internacional da Agroceres PIC (Foto: Divulgação)
Para Daniel Linhares, a modernização da atividade suinícola, com a intensificação da produção e o adensamento dos animais em unidades com múltiplos sítios, aumenta o risco de introdução e disseminação de patógenos nas granjas. Pesquisador da Iowa State University foi um dos palestrantes desta manhã no 12º Seminário Internacional da Agroceres PIC, que está sendo realizado no Rio de Janeiro.

A sanidade ocupa hoje lugar-central entre as preocupações do setor suinícola mundial. Os eventos sanitários registrados nos últimos anos – em especial a ocorrência da Diarreia Epidêmica dos Suínos (PED), nos Estados Unidos, e a Peste Suína Clássica, na Europa – colocaram o setor em estado de alerta e evidenciaram a necessidade de se desenvolver mecanismos mais ágeis de monitoramento, detecção, controle e erradicação de enfermidades na suinocultura.

Para o médico veterinário Daniel Linhares, professor e diretor do Curso de Pós-Graduação da Iowa State University, nos Estados Unidos, a modernização da atividade, com a intensificação da produção e o adensamento dos animais em unidades com múltiplos sítios em propriedade cada vez maiores, aumentou o risco de introdução e disseminação de patógenos nas granjas suinícolas. “A cadeia de produção de proteína animal é cada vez mais complexa e moderna. Complexa no sentido de ser dependente de milhares de eventos de transferência de animais desde a fase reprodutiva até o abate. Para se ter uma ideia, aproximadamente 350 mil suínos são transferidos diariamente no Brasil” afirma Linhares. “Ao mesmo tempo, houve uma modernização da operação, com granjas cada vez maiores, alto capital empregado e uso intensivo de tecnologia. Isso significa que o risco econômico da atividade é cada vez maior”, completa.

Daniel Linhares foi um dos palestrantes do 12º Seminário Internacional de Suinocultura Agroceres PIC, realizado no Club Med Rio das Pedras, em Mangaritiba (RJ) entre os dias 14 a 16 de novembro.

Segundo o pesquisador, diante desse novo modelo de produção, um dos maiores riscos da atividade suinícola passa a ser o sanitário. “Os animais são expostos diariamente a agentes infecciosos. E a infecção de lotes de animais com agentes economicamente importantes afeta significativamente a sustentabilidade da operação a curto, médio ou longo prazos”, afirma.

O pesquisador da Iowa State University cita como exemplo um levantamento feito com suinocultores norte-americanos que aponta oportunidade econômica de US$ 20,00 por cevado produzidos naquele país. “E esses US$ 20,00 por cevado podem ser a diferença entre o lucro ou o prejuízo certo”, observa.

Emergentes, re-emergentes ou endêmicas

De acordo com Linhares, independente de serem emergentes, re-emergentes ou endêmicos, os patógenos sempre ocasionam perdas no desempenho dos animais e impactos econômicos negativos na produção. “A Lawsonia [microorganismo causador da Enteropatia Proliferativa dos Suínos, ou ileíte] é um patógeno que afeta muito o desempenho dos animais. Mas há agentes que geralmente não causam grandes impactos, mas a eventual mudança do equilíbrio entre animal-patógeno-ambiente os faz ganhar força, como é o caso da E.coli e do Senecavirus A”, afirma Linhares. “E, obviamente existem os patógenos que realmente são novos em determinado ponto no tempo/espaço e que causam grandes prejuízos, como por exemplo os diversos Coronavirus suínos registrados nos Estados Unidos entre os anos de 2013 e 2014”.    

Embora faça questão de enfatizar que todos os patógenos são relevantes e devem ser adequadamente monitorados e controlados, Linhares aponta o vírus da PRSS [Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos] como o mais importante nos Estados Unidos e Europa. Segundo ele, um estudo de 2011, realizado pela Iowa State University, calculou que o PRRSv custa para a indústria suinícola dos Estados Unidos US$ 664 milhões por ano, e, na Europa, os números são estimados em €1,5 bilhão por ano.

De acordo com o especialista, em resposta à PRRS, as granjas norte-americanas têm adotado uma série de procedimentos para conter ou minimizar os impactos da doença. Entre eles, a adoção de fluxos adequados de leitoas (unidades de preparação de leitoas), monitoria sanitária intensa e rigorosa, fluxos unidirecionais “todos dentro-todos fora”, entre outros. “No Brasil, não temos a PRRS, mas temos muitas misturas de origem, ventilação natural, sistemas contínuos, etc., o que faz com que doenças bacterianas florescem e se perpetuam”, observa Linhares.

Aumentando o controle sanitário

Frente a essa realidade, preconiza o especialista, o primeiro passo para o controle do impacto econômico dos agentes infecciosos na produção suinícola é a prevenção e, em alguns casos, a construção da imunidade do rebanho. “Isso significa estruturar um bom programa de biossegurança, focado, sobretudo, na redução de número de eventos, como redução da introdução de animais, estabelecimento rigoroso dos períodos de vazio sanitário, dias de remoção de dejetos no ano, etc.”, afirma Linhares.

O segundo ponto a ser observado nos protocolos de biossegurança, explica o especialista, é reduzir ao máximo o risco dos eventos não evitáveis através da adoção de normas sanitárias rígidas em procedimentos corriqueiros, como a obrigatoriedade de banho na entrada e saída da granja, a descontaminação eficiente de caminhões e o controle da entrada de suprimentos, além do desenvolvimento de tecnologias de filtragem de ar nos galpões e a quantificação de risco para diferentes tipos de infecções.

Atenta à importância da prevenção e controle da transmissão de patógenos via o ingresso de veículos nas granjas, a Agroceres PIC acaba de implementar no Brasil um novo conceito para a desinfecção de caminhões utilizados no transporte de suínos e de automóveis com necessidade de acesso às unidades produtivas. Conhecido como TAAD (Thermo-assited drying and decontamination, em inglês), o sistema consiste em uma estação vedada na qual o veículo, após ser lavado na área externa, passa por um processo de desinfecção por secagem forçada com ar aquecido, sem o uso de desinfetantes. Inédito no Brasil, o sistema garante a completa inativação de bactérias, fungos e vírus.

Já quanto à imunidade do rebanho, Linhares aponta a vacinação e a aclimatação estratégica das leitoas de reposição como pontos-chave para a redução do impacto das enfermidades endêmicas e/ou potencialmente re-emergentes.

Já para proteção sanitária dos sistemas de produção, o pesquisador da Iowa State University indica a piramidização da produção, a realização de vazios sanitários sistematizados e a determinação de fluxos adequados para o trânsito de veículos, sobretudo das carretas, como fatores que fazem muita diferença na mitigação do risco de “mover” patógenos entre granjas. “Na suinocultura moderna o sucesso depende de pequenos detalhes e os sistemas de biossegurança são feitos de uma soma deles.  Por isso a biossegurança deve ser vista como prioridade e fator-chave para o sucesso a longo prazo”, finaliza Linhares.

 O 12º Seminário Internacional de Suinocultura Agroceres PIC discutiu as questões de alto impacto para a suinocultura brasileira e mundial, apontando tendências produtivas, econômico-conjunturais e de mercado. Acompanhe as imagens dos dias de evento (14 a 16 de setembro), no resort Club Med Rio das Pedras, em Mangaratiba (RJ) (Fotos: Divulgação)

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Assessoria de Imprensa
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