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Escândalo na Agricultura

Veja denuncia Rossi

Novas denúncias publicadas pela revista da editora Abril relacionam ministro da Agricultura a fraude em licitações.

Veja denuncia Rossi

A edição da revista Veja que entrou em circulação neste sábado, dia 13, traz novas denúncias contra o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, suspeito de permitir a interferência do lobista Júlio Fróes na pasta. Em dezembro, um empresário que participava de uma licitação para prestar serviços de comunicação para o ministério teria denunciado que R$ 2 milhões teriam sido pagos ao gabinete do ministro pela concorrência.

Segundo a reportagem, o presidente da Comissão de Licitação, Israel Leonardo Batista, teria dito que registraria a acusação em ata e a encaminharia à Polícia Federal, mas o caso teria sido abafado pela assessora Karla Carvalho. Até a semana passada, Karla era a secretária-executiva do ministério e trabalhava com Milton Ortolan, que pediu demissão horas depois de a edição anterior da revista afirmar que o lobista Fróes ocuparia uma sala dentro da Comissão de Licitações da Agricultura.

A revista lista episódios mal-explicados do passado de Rossi. Ele teria feito uso eleitoral de alimentos distribuídos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a qual presidiu durante o governo passado.

Outro ponto nebuloso em sua biografia seria a passagem pela Companhia Docas de São Paulo (Codesp). O ministro teria descoberto que empresas contratadas pelo Porto de Santos deviam R$ 126 milhões à Previdência mas, em vez de exigir que acertassem as contas, pagara a fatura com recursos da Codesp. A lista de beneficiários do dinheiro público incluiria 99 empresas privadas que não teriam quitado os débitos assumidos pela estatal.

A reportagem também questiona a evolução patrimonial do ministro, que concorreu pela primeira vez em 1982, a deputado federal. Rossi mora em uma propriedade de 400 mil metros quadrados, em Ribeirão Preto, avaliada em R$ 9 milhões.

Ex-prefeito de Ribeirão Preto, João Gilberto Sampaio teria dito que Rossi, no começo de sua vida política, não tinha dinheiro “nem para bancar os santinhos”. Rossi, ministro há dois anos, exerceu dois mandatos de deputado estadual e dois como deputado federal. Foi presidente da Codesp e da Conab. O ministro afirma ter adquirido o imóvel com seu trabalho e com o dinheiro de uma herança.

Na última quarta, dia 10, Wagner Rossi disse que adotou todas as providências para apurar e coibir irregularidades na sua pasta, especialmente no que diz respeito à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O ministro atribuiu a iniciativa das denúncias publicadas na imprensa a funcionários e dirigentes afastados da empresa devido a irregularidades. Conforme assinalou, essas pessoas tiveram seus “interesses contrariados”.