AveSui2021
23-Dez-2019 09:40
Tecnologia

Você e um robô como colegas de trabalho

Por Izally Carvalho Gervázio, Tung Chuin Wen & Iran José Oliveira da Silva

Estamos vivendo um momento na revolução das informações, tanto do ponto de vista das empresas, quanto do ponto de vista do setor produtivo e produtores. Nunca se falou tanto na importância dos cientistas de dados, pois o que fazer com tantos dados armazenados continuamente? No passado recente, e ainda em algumas regiões o problema é persistente - a eficácia na aquisição dos dados e das informações. No outro extremo, onde isso já é uma realidade o problema esta em como trabalhar e retirar o máximo de respostas a esse conjunto de dados.

No âmbito da Zootecnia de precisão, algumas ferramentas inovadoras estão utilizando essas novas tecnologias, por outro lado, algumas matérias veiculadas na mídia, provocam confusão, envolvendo os termos IoT, Inteligência Artificial, Mineração de Dados e Big Data, motivados pela evidência e modismos desses termos na atualidade. Da mesma forma, outra confusão comum está relacionada aos termos: sistema automatizado, automação de processo e sistemas inteligentes.

Muitas matérias noticiadas mencionam técnicas de inteligência artificial aplicadas à zootecnia, mas poucas aplicações são apresentadas na sua integra, exibindo e analisando os resultados obtidos. Considerando o estado da arte (Big Data) foi pouquíssimo aplicado sendo ainda é um desafio para os grandes produtores.

Existe a necessidade de esclarecer as reais aplicações, vantagens, eficiências com os diferentes sistemas e ferramentas disponíveis para a cadeia produtiva.

Neste contexto, quando o assunto são os custos da aplicação dessas ferramentas nas propriedades, verifica-se que num primeiro momento, apenas as grandes propriedades poderão fazer uso da tecnologia como é o caso de cooperativas e empresas integradoras. Existirá um “gap”, para que estas técnicas eficazes de aquisição e tratamento de dados cheguem às pequenas propriedades. Por outro lado, e não menos importante, verifica-se a necessidade de pessoas capacitadas para trabalharem tanto com os equipamentos (sensores, atuadores e controladores) quanto com as tecnologias de tratamento de dados (análise de dados).

Na produção animal de uma maneira geral estão envolvidos principalmente, médicos veterinários e zootecnistas, e a formação destes profissionais ainda é baseada em um contexto conservador, ou seja, não se tem disciplinas em que temas como a inovação, a tecnologia e a zootecnia de precisão são abordadas. O profissional que está no campo hoje, não está preparado para a chegada da “era digital” onde as máquinas e os animais irão falar e todo o sistema tomará as decisões cotidianamente. Vivemos o momento da desconfiança ao novo, e da quebra de paradigmas, pois essas tecnologias serão realidades num futuro mais próximo que nós imaginamos.

Com essa visão, afirmamos que os profissionais do futuro serão aqueles ligados aos números, que saibam desenvolver e aplicar essas ferramentas, que saibam usar a zootecnia de precisão ao seu favor, minimizando as perdas e maximizando a produção animal. As Instituições de ensino devem começar a se preocupar com a multidisciplinaridade nos cursos de ciências agrárias, ou poderão ficar obsoletas e as pessoas substituídas por robôs.

Nos próximos anos com o aumento da população mundial, a produção de alimentos deverá ser a mais eficiente possível. O problema já previsto é alimentar o mundo, ou seja, bilhões de pessoas... E pra fazer com que isso se torne realidade, em diversos setores e principalmente no meio agro, robôs e pessoas serão colegas de trabalho, as formas como os animais serão criados, alimentados, será de acordo com suas vontades, ou seja, a expressão “você leu meus pensamentos” será realmente colocada em prática... Estamos preparados?

Portanto, avaliar as ferramentas de zootecnia de precisão ainda é um desafio, que dirá um entrave, pois elas ainda não são usadas em toda a sua essência e capacidade e muitas vezes, erroneamente.  A capacitação de profissionais na área de produção animal ainda não é feita de forma a preparar esse profissional para o futuro de forma multidisciplinar para que possam usufruir dessa tecnologia não como usuários, mas como técnicos que sugerem mudanças, alterações e novas propostas. Esta realidade já existe hoje nas feiras de equipamentos pelo país e pelo mundo. Novamente, estamos preparados para as mudanças que estão surgindo? Você e um robô, como colegas de trabalhos dentro de aviários e das granjas de suinícolas, registrando, avaliando, analisando e tomando decisões em tempo real, muitas vezes atuando com predições de doenças e outros problemas... Voce já pensou nisso? O futuro chegou... Prepare-se! Ah! Aqui no Brasil, não estamos falando lá de fora, afinal somos um dos maiores produtores e exportadores de proteína animal do planeta.

Redação AI/SI

Inteligência Artificial

Coordenação Iran José Oliveira da Silva -NUPEA/ESALQ

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